O maestro, o cuco e a lenda – resenha da HQ

Quando eu vi os primeiros desenhos do Cuco, eu fiquei muito surpreso. Aquilo era bom demais. Pra você entender a dimensão da coisa, o Wagner Willian é um monstro da pintura que já tinha mostrado um desenho sensacional em Lobisomem sem Barba e em Bulldogma. Daí ele me chega com esse garoto, desenhado em 4 estilos, um melhor que o outro, um em um estilo diferente do outro e pergunta qual o melhor? Porra, esse é um cara que podia ter desenhado a HQ em 4 estilos e todos seriam maravilhosas.



Eu li umas 3 versões do Cuco, uma melhor que a outra. Cada vez a narrativa ficava mais viva e mais cheia de movimento, cada vez o roteiro estava mais redondo.

A história é aparentemente simples, um rapaz volta para o sítio onde passou a infância para acompanhar a venda de tudo após a morte do avô, o Maestro. Lá, como Alice seguindo o coelho, ele é puxado pelas memórias para a floresta onde faz uma volta ao passado que parece real demais para ser só uma lembrança.

Uma coisa que eu gosto quando eu acompanho autores nacionais, principalmente aqueles que eu tenho a sorte de acompanhar desde o primeiro trabalho, é ver a evolução da pessoa.

Tem evoluções que a gente nem acha que seriam possíveis. Eu já gostava do desenho que o Wagner encontrou para si em Bulldogma, mas ele surpreende demais nessa nova HQ. Ele não só apresentou um desenho excelente, O Maestro tem um um estilo bem definido, bem executado e, isso que é mais notável, um estilo que o autor escolheu por ser o mais adequado à história que ele queria contar, que ele escolheu por representar com mais clareza as memórias afetivas que ele queria tocar nas referências visuais do leitor.

Parece óbvio que o desenho tem que ser adequado para a história, mas, o mais comum é o desenhista ter o seu estilo e trabalhar só com histórias em que esse estilo funcione. É algo raro o artista que pode se dar ao luxo de criar uma história e escolher dentro do seu repertório um estilo diferente dos seus outros trabalhos.

Fora que narrativamente as páginas tem muita agilidade, muita força e leveza visual (algo necessário quando o autor tem apetite por histórias de muitas páginas como o Wagner mostrou que tem).

E fora que tem quadros ali que ficariam espetaculares se fossem impressos grandes e fossem emoldurados e colocados em uma parede.

No fim, o Cuco se saiu como uma narrativa bem madura, bem direcionada e é a melhor HQ do Wagner até próxima que ele lançar, porque o bicho tem uma habilidade surpreendente de se transmutar em algo melhor.

Se ainda precisa de referências para saber que a HQ é boa, ela foi uma das HQs selecionadas pelo Proac, o que permitiu ao autor se autopublicar pela sua editora Texugo; e, de cara, a HQ foi comprada pela Casterman, uma das maiores editoras da França que é um dos grandes mercados consumidores de HQ do mundo.

Então não tenha dúvida, o Cuco é uma das melhores HQs de 2017 e você não vai querer ficar sem lê-la.

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