One Punch Man: Anime vs Mangá



Há um tempo atrás eu li o mangá One Punch Man e gostei bastante (falei sobre ele aqui).

É muito curioso como esse mangá obteve um engajamento orgânico absurdo.

O roteirista desse mangá, o One, tem algo mais no seu ser criativo. Ele começou ele mesmo desenhando, com um desenho tosco e angariou fãs o suficiente para atrair um desenhista excelente, Yusuke Murata, que ajudou a projeção mundial da série.

E essa capacidade de angariar pessoas ao seu favor só cresceu. As pessoas que leem o mangá se apegam a ele de uma maneira que sentem uma necessidade quase irresistível de divulgar o título.

One Punch é campeão no marketing orgânico.

Fiquei sabendo do mangá pelas redes sociais e, mais de um ano depois dessa primeira febre, com o lançamento de 12 episódios do anime na netflix, a série voltou a ser falada de novo.

Então fui assistir o anime e, ele é tão irresistível quanto o mangá, vi os 12 episódios em um dia (tudo bem, são curtinhos, 20 minutos, mas parece que são 5 cada um de tão gostosos).

Talvez o roteirista tenha algo em comum com seu personagem central, Saitama, o cara entediado que decidiu virar herói e, sem grandes esforços, com um treino regular de força, se tornou tão forte que vence qualquer inimigo com apenas um soco. Ambos parecem que não precisam se esforçar para serem bem-sucedidos.

É curioso como a história é ao mesmo tempo criativa e bobinha. Dentro de One Punch você observa o roteirista desenvolvendo heróis e vilões e os descartando sem nenhum esforço, se alguém se desse ao trabalho de vasculhar as ideias abandonadas dentro desse mangá, certamente teria argumento para criar uma centena de mangás honestos.

Esse primeiro arco que virou anime (que se refere aos capítulos 1-48 do mangá) meio que monta o cenário e dá o tom do personagem. Saitama, seu “aprendiz”, o ciborgue Genos, a associação de heróis com todo seu elenco de personagens bizarros e egocêntricos, que são, aliás, um melhor que o outro.

Dá para fazer muitas análises sobre a série. Se você pensar no roteirista como sendo Saitama e os outros heróis como sendo roteiristas de vários níveis que se acham especiais, pode ser que haja aí uma crítica escondida à industria do mangá do japão. Pode ser que ele esteja demonstrando como, sem esforço, ele pode quebrar muitos clichês e criar uma intensa sátira das histórias de ação que, ao mesmo tempo, funciona como uma baita história de ação.

Uma coisa que eu gosto muito no mangá é a narrativa visual estupenda. Mesmo que você não se interesse pelo anime, se você tem qualquer interesse por quadrinhos e, principalmente se você tem interesse em fazer quadrinhos, acho que vale muito a pena ler e estudar a forma como esse desenhista trabalha a ação na página, porque é simplesmente ágil e grandioso, um verdadeiro espetáculo.

Isso se perde um pouco no anime, mas a essência está lá. O traço tradicional de heróis (meio dragon ball) que se alterna com uma pegada cômica eventual. O anime traz um curioso uso do esboço nas sombras em alguns momentos para valorizar o desenho principal e junta isso com as cores e a trilha, que pegou bem o espírito de brincar com os clichês, você tem um resultado que faz jus ao mangá original.

Todo mundo está comentando como a dublagem nacional é divertida, então eu assisti a maioria dos episódios dublados e valeu a pena para ouvir alguns “eita” e um “careca, quem você pensa que é na fila do pão”.

Uma boa notícia é que as histórias que saíram no mangá depois dessa temporada (49 em diante) seguem em uma baita crescente de qualidade, então imagino que virão próximas temporadas do anime que se seguirá muito divertido.


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Veja a versão em vídeo dessa resenha aqui: