Os criadores de coincidências

Às vezes a gente lê uns livros muito bons, mas que pesam. Você sabe o que o livro é bom, a leitura diverte em um certo nível, mas são livros que exigem reflexão demais, ler eles é bom mas cansa.



Daí volta e meia é gostoso ler livros que não exigem tanto. Livros que são apenas divertidos.

Os criadores de coincidências, um romance do israelense Yoav Blum, é um desses livros.

Descrita com um thriller improvável sobre os operários invisíveis que mantêm girando as engrenagens do acaso, história gira em torno de Guy, Emily e Eric, três criadores de coincidências que recebem suas missões e trabalham criando as coincidências que fazem as pessoas se apaixonarem, mudarem de vida, virarem poetas e outras coisas.

O romance é um daqueles livros redondinhos do começo ao fim. O tipo de livro cíclico, cheio de aforismos, sempre mirando em ser “fofo”. O problema dos livros com a história “fechadinha” é que cedo ou tarde eles começam a dar pistas demais e começam a se tornar previsíveis. O lance nesses casos é quando o livro pega o leitor. Por mais que a história seja previsível, quando você se apega a ela, se deixa levar, muitas vezes você se cega para essas obviedades e adora a história do começo ao fim, por mais que ele seja previsível. É uma questão de entrega, uma questão de ler pelo prazer de ler, sem pensar.

E é tão fácil se entregar para Os Criadores de Coincidências, se deixar levar por essa ideia mirabolante de uns seres que criam os acasos seguindo uma série de regras e teorias complexas. Como não adorar a pérola no meio da história que é o “Homem do Hamster” ?

Além disso, é daquele tipo de livro que pode ser visto por muitos ângulos. Uma pessoas mais religiosa pode ver os criadores com elementos da sua religião, um fã de fantasia pode vê-los como criaturas mágicas ou você pode simplesmente curtir o livro como um bom romance.

Por mais que muitas frases do livro sejam um tipo de clichê, eu adoro esses livros que têm aquelas frases que a gente quer recortar e guardar para sempre. Então eu termino esse texto com algumas das frases que eu quis guardar para mim.

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Todo agora tem um antes.

Mapas, ruas, gráficos, direções . Eu confundo tudo. Agora, por exemplo. Só tem dois lugares em que posso estar: ao seu lado ou longe de você. Como posso conseguir lembrar o caminho até o cinema assim.

Palavras são sempre pequenas armadilhas de definição, mas adjetivos são especialmente perigosos, como pântanos.

… essa habilidade de experimentar o presente como algo que era um futuro até um momento atrás, mas que já começava, aos poucos, a se tornar passado

Mas metáforas são porcarias. Você nunca vai encontrar realmente duas coisas que sirvam de metáfora perfeita uma para a outra. Se duas coisas podem servir de metáfora perfeita uma para a outra, então, aparentemente, são a mesma coisa. O universo não costuma cometer desperdício.

A maioria das suas regras é só uma invenção que você projetou para se proteger. Quebrar essas regras em específico é um ato de coragem. Quebrar qualquer uma das outras é só preguiça.

Pessoas meio deprimidas sempre temem que a esperança as peguem desprevenidas, e que todo aquele desespero seja desperdiçado.

Você não pode ter uma relação real com alguém que não pode machucar você.

A diferença é simples: pessoas felizes olham suas vidas e veem uma série de escolhas. Pessoas infelizes veem uma série de sacrifícios.