Os Defensores – resenha sem spoilers

Eu estava com muitas expectativas para ver os Defensores, tinha até feito esse post e vídeo sobre a série, os quadrinhos e o que estava esperando.

Acho que nunca é muito bom ir com tanta expectativa pra qualquer coisa, porque a gente vai com mais cobrança e acaba não se divertindo tanto.

Veja, não estou dizendo que a série é ruim, nem de longe, a temporada tem 8 episódios e eu assisti em dois dias (4 episódios por vez) porque não conseguia parar de ver.

Tirando o primeiro episódio que é bem fragmentado, com 5 narrativas separadas (as dos 4 heróis mais a dos vilões), todos os outros capítulos parecem ter quinze minutos de tanto que você fica vidrado neles.

Sobre o primeiro episódio, se fosse o início de uma série nova, sem público formado, talvez faria as pessoas desistirem da série.

Por necessidade narrativa, ele é o menos empolgante, porque é preciso contar em que ponto está a história de cada um dos personagens até juntá-los em uma narrativa única. Óbvio que não é uma coisa tão empastada como Game Of Thrones que passou 6 temporadas saltando entre as infinitas histórias de dezenas de protagonistas.

Em um episódio a série deu conta de montar o cenário e juntar todos em uma história que vai fluída e frenética até o final.

Aliás esse é um ponto bom e ruim ao mesmo tempo. A partir do segundo episódio a história se desenrola em uma pancada só, ela tem um ritmo constante, quase sem respiros e sem alternância emocional. A única nota emocional que a série toca é a do “nós quatro, contra a nossa vontade, contra uma organização gigante e poderosa prestes a destruir a cidade”.

Talvez esse seja o ponto que me pegou. Por mais o que eu esperasse fosse um clichê, as histórias que têm uma cadência com mais altos e baixos parecem ter mais contraste entre os capítulos e ajudam a impulsionar a entrega de quem assiste. Me emociono mais com um clichê que tenha dois tons emocionais definidos do que com a crescente monotemática dos Defensores.

Outro ponto que eu senti falta foi um papel mais relevante para o Cage e para a Jessica além de serem bate-estacas.

A história dos Defensores é uma continuação direta da série do Demolidor e da série do Punho de Ferro, o universo deles é o centro da história, o Punho de Ferro é o grande alvo do plano do Tentáculo e o Demolidor está envolvido por ter sido treinado pelo Stick e pela sua relação com a Elektra.

Você não precisa ter assistido nem Jessica Jones nem o Cage para entender a história e apesar de desempenharam uma função narrativa essencial para a resolução dos problemas na série, eles meio que foram levados sem querer para a história do Tentáculo e a contribuição “emocional” deles para a história é na relutância em ser heróis.

Mas, a química entre os personagens é bem natural, fica claro que eles estão no mesmo universo e que funcionam bem como elenco da trama.

Eu não me ligo tanto em coreografia de luta, então, para o meu gosto, todas as cenas dão conta. Tem a cena do corredor, tem a Madame Gao lutando e é interessante todas as formas que acharam para derrubar o impenetrável Cage. Senti falta de mais grandiosidade na luta final, fizeram tudo muito escuro, tentaram dar uma camuflada, ficou ok, mas eu queria algo mais quadrinhos, mais exagerado.

A capacidade do elenco é aquela que a gente já sabe das outras séries, são bons atores,  Krysten Ritter (Jessica) e Mike Colter (Cage) são obviamente os melhores e o Finn Jones (Punho de Ferro) já sabíamos que tem uma cara meio de nada.

A Sigourney Weaver fez uma vilã clássica, de gostos refinados, funcionou demais na série, MAS, podia passar sem a vergonha de tentar encenar uma lutinha.

A Wai Ching Ho (Madame Gao) já conhecida das outras histórias está como sempre perfeita no papel e o Scott Glenn (Stick) também retorna muito bem, faz as cenas de ação bem, entrega bons discursos e convence muito mais que o Charlie Cox (Demolidor) como cego.

Ainda sobre a atuação, para funcionar nessa série os atores têm que ser mais expressivos do que bons de fala, porque a série é bem fraca nos diálogos, basicamente só chavões, frases feitas e um ou outro discurso bacana. Pesando agora, acho que, em termos de falas, em todas as séries, as únicas que ficaram na minha lembrança foram os debates entre o Justiceiro e o Demolidor na segunda temporada do Demolidor.

[Update: eu vi o pessoal comentando na internet e concordo, o debate do Cage com o Randy sobre a briga de quando se encontraram, sobre um garoto rico socando um pobre é bem interessante, é diferente do que se vê nas HQs e série no geral, MAS meio que fica por isso mesmo, o que só reforça minha sensação de falta de protagonismo do Cage na série]

No geral, eu gostei bastante da série, um pouco menos do que esperava gostar, mas é um projeto excelente, uma construção fantástica de universo, algo realmente interessante para testar um crescimento na linguagem das séries que a cada ano vêm surpreendendo.

Não preciso comentar nada que se refere a spoiler da série, só vou dizer que quando termina, se você viu os trailers, vai ficar com uma dúvida que é respondida pela cena extra. Sim, no último episódio, quando a netflix tentar te jogar para outra série, volte, veja os créditos que depois tem uma surpresa.

Resenha em vídeo