A pequena loja de suicídios

Esse filme chegou até mim de uma forma extremamente bizarra, retomo esse assunto aqui, mas, por enquanto, acho que vale resenhar o filme.

O filme é uma animação franco-belga, uma comédia musical carregada no humor negro que conta a história da família Tuvache, proprietária de uma requisitada loja com artigos para suicídio em uma cidade francesa onde todos estão deprimidos e a taxa de suicídio é altíssima.

Quando nasce Alan, o filho caçula da família, os pais descobrem que ele tem um comportamento muito estranho, desde bebê ele sorri sempre. Ele cresce um menino feliz e se torna um verdadeiro incômodo para os negócios da família.

A temática do filme é meio sinistra e bem complicada de trabalhar, principalmente em uma animação, que as pessoas normalmente assumem ser algo exclusivo para crianças, mas, se você pensar bem, a família Tuvache têm muitos paralelos com a família Adams, por exemplo, em termos de ser uma família com um gosto bem sinistro.

Tem que se ter um certo desapego ao tratar a temática com essa proposta do filme. Apesar de todos serem bem cartunescos e cômicos (quem se suicida em via pública é multado pela polícia), há dezenas de suicídios no decorrer do filme. E se você recortar partes do filme principalmente partes da primeira metade da história, ele parece uma alegre propaganda do suicídio.

Obviamente, ninguém inteligente o suficiente vai acreditar que alguém produziria uma comédia musical em formato da animação que incentiva o suicídio e ninguém inteligente o suficiente acreditaria que um filme nesses moldes seria premiado em festivais se fosse uma campanha pró-suicídio. Assim, mesmo sem ver o filme em si, é facilmente dedutível que ocorrerá alguma transformação na história e que a moral da história será exatamente contra o suicídio.

Novamente, óbvio, se você entende que a melhor forma de lidar com um assunto com o seu filho(a) é não abordá-lo de forma alguma, é provável que você não goste da existência do filme.

Como animação o filme é bom, mas não é um destaque, não espere um As Bicicletas de Belleville. O estilo do desenho é o tradicional franco-belga, mais caricato, linha clara, com um destaque para um uso bem expressivo das cores, principalmente no controle delas para manter o visual meio deprimente da cidade como um todo.

A escolha da concepção dos personagens é bem legal (Tim Burton aprovaria), os cenários são legais, mas fica claro que faltou um pouco de dinheiro para poder renderizar melhor e integrar melhor algumas coisinhas, nada que comprometa.

Como a maioria desses filmes franceses que não estouram pelo mundo, não tem versão nacional para vender, contudo, alguém se deu ao trabalho de disponibilizar o filme todo legendado no youtube, é uma versão pirata, mas provavelmente a produtora francesa não se deu ao trabalho de tirar do ar.

Caso queira assistir é só ver nesse link https://youtu.be/V9YLYKzGjj4

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