Preacher na TV

Depois de quase vinte anos do início da publicação de Preacher nos quadrinhos (leia sobre a série aqui) um canal de TV resolveu adaptar a história.

Vou dizer que entendo a história não ter sido adaptada antes, se você ver bem um dos grandes charmes dos quadrinhos de Ennis é uma perversidade bizarra apresentada como um senso de humor peculiar e dificilmente isso é palatável em termos comerciais. A narrativa principal em si é atraente para as emissoras, tanto que dá pra sentir uma influência de Preacher em Supernatural em por exemplo. Mas, em comparação com Preacher, Supernatural está mais para uma busca infanto-juvenil por Deus e as figuras no seu entorno.

Considerando essa peculiaridade que torna Preacher interessante, realmente é difícil pensar em uma dupla diferente de Seth Rogen e Evan Goldberg (Superbad/A Entrevista/Ligeramente Grávidos) para desenvolver essa história. Veja, eu nem sou grande fã desses filmes, mas há de convir que há uma coragem/liberdade na forma como eles humanizam os personagens deles que combina perfeitamente com Ennis.

Até agora foram ao ar quatro episódios dos dez programados para essa primeira temporada e só tenho elogios a fazer para a série, principalmente no ponto de vista de quem já leu a HQ.

No geral a adaptação mais ou menos é conduzida de uma forma que o leitor da HQ fica naquela expectativa de como vão fazer isso ou aquilo, mas ele meio que sabe para onde tudo aquilo vai levar, já está escrito, já está previsto, não tem exatamente uma grande surpresa. Você fica mais vidrado em ver o que você já viu em outro formato do que qualquer coisa.

Preacher me surpreendeu muito nesse sentido. Em essência, a representação dos personagens, suas ações e tudo mais são extremamente fiéis a HQ, mas a condução da história, o posicionamento dos personagens é tão diferente que quem leu a HQ não faz a menor ideia de para onde vai a trama. Pra começar, na primeira edição de Preacher a igreja de Custer e a maioria dos moradores da cidade morre, a partir dali ele segue na sua viagem pelos EUA.

Na série não, a igreja não explodir mudou tudo, centrou a ação em Annville, trouxe para junto na cidade o Odin Quincannon (do arco que se passa na cidade Salvation onde Jesse vira xerife) e colocou a Tulipa, o Cassidy e enviados do céu em busca da entidade também em Annville.

Com isso a história ficou tão diferente que mesmo para o leitor, cada capítulo é uma surpresa. O mais interessante é que tudo que acontece na série que não aconteceu na HQ é tão coerente com o espírito de Preacher que você tem certeza que aquilo caberia sem problemas em uma história escrita por Ennis.

Fora que os primeiros minutos dos episódios dois e três que mostraram respectivamente o Santo dos Assassinos e o Starr são um presente para os fãs. Não faz sentido algum na série até o momento, não foi dada explicação ou amarra alguma até agora e apenas quem leu os quadrinhos sabe o que está vendo nessas duas cenas curtinhas.

Tudo isso em uma série que está com uma direção de fotografia absurda de boa, um ritmo excelente, bons atores, ou seja, é um projeto de alto nível, que é bom e interessante para qualquer um que nunca nem ouviu falar em Preacher.

Depois desse quarto episódio com uma história genial centrada em Odin Quincannon, um dos personagens mais bizarros da HQ só tenho a dizer que Preacher é a série que tem que ser vista no momento. Não deixe passar. É excelente.

Caso você só queira relembrar a hq ou conhecer a história editorial que deu origem a série, o Thales do MDM lançou esse ebook sobre a HQ.

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Joseph Gilgun as Cassidy - Preacher _ Season 1, Episode 1 - Lewis Jacobs/Sony Pictures Televsion/AMC

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