Preacher – Segunda temporada

Encerrou a segunda temporada do Preacher e, se a primeira acabou indicando que a partir dali a série cairia na estrada e seria mais fiel a história da HQ, a segunda terminou deixando bem claro que a série vai seguir uma linha narrativa bem diferente da história contada pelo Ennis nos quadrinhos.

Eu acho válido fazer um paralelo com o Deuses Americanos. Ambas as histórias se passam no coração dos EUA, em uma vibe road movie e, ironicamente, são escritas por autores ingleses.

Ambas as histórias na sua adaptação desviaram bastante da trama original e expandiram o universo interno dos personagens para poder criar volume e abrir várias temporadas.

Ambas as séries têm uma estética na fotografia um tanto fora do normal, o Preacher com uma luminosidade estourada como se o sol estivesse mais próximo e o Deuses Americanos bem mais sombrio.

Pro meu gosto, eu já tinha dito na minha resenha que eu não gostei tanto de deuses americanos, já Preacher eu achei bem mais interessante.

A história é outra? Sim.

Quem esperava que eles caíssem na estrada nessa temporada certamente se frustou, porque eles não saem de New Orleans a temporada toda.

Por outro lado, eles deram uma dimensão tão maior e mais complexa para a Tulip e para o Cassidy que eles ficaram personagens ainda melhores do que nos quadrinhos.

Até mesmo o antagonista, Herr Starr, com uma interpretação excelente do Pip Torrens tem uma trajetória melhor que da HQ.

O Cara de Cu, que sempre foi um personagem muito lembrado na série, está absurdamente mais interessante, com direito a um arco próprio no inferno co-estrelado por Hitler.

Uma das coisas que eu critico na HQ é que a história como um todo não é tão boa quanto os seus arcos internamente, até porque parece que tem um momento meio “foda-se, vou terminar a história” lá na passagem do penúltimo para o último arco.

Nesse sentido, a série da TV parece caminhar para uma narrativa mais grandiosa e mais conexa.

Fora isso, por mais que a história no geral seja outra, a produção a cargo do Sam Catlin, Evan Goldberg, Seth Rogen manteve bem o espírito bizarrão da série. Logo no primeiro episódio com um sujeito vestido de cachorro você vê que eles têm uma mente mais perturbada que o próprio Ennis.

Não vou dizer ainda que a série é excelente porque tem muitas tramas no ar e a narrativa não tem um ritmo tão bom, então, tudo vai depender de quantas temporadas mais serão feitas e da série acabar bem.

Ela está bem encaminhada, mas parece ser aquelas séries que se só são reconhecidas e lembradas se tiverem um final grandioso, porque a trajetória em si, apesar de ter muita coisa que eu gosto ali, definitivamente não é de uma série que deixa você super ansioso e vidrado nela.