Precisamos falar sobre River

A Netflix vem se mostrando não apenas um bom serviço, mas também uma grande produtora de conteúdo e mesmo fora dos grandes destaques, aqueles que recebem investimento para uma publicidade mundial, encontramos algumas pérolas surpreendentes como essa minissérie inglesa chamada River.

Que drama sensacional e emocionante é River. Eu vou falar um pouco de forma genérica e após as fotos vou acrescentar algumas observações que entregam algumas surpresas. Sugiro fortemente assistir a série sem saber muita coisa e principalmente sem ler o que eu escrevi depois das fotos.

É fácil se simpatizar com River já no primeiro episódio, é ele é um detetive com uma pegada meio melancólica, você sente que tem algo a mais no personagem e já tem uma grande surpresa no final do episódio inicial que acaba gerando mais dúvidas. E então vem o segundo episódio, que não só deixa claro a proposta da história como fecha em um discurso estupendo do ator Stellan Skarsgård (0 mesmo de Thor e os Vingadores) sobre a situação do personagem que ele encarna.

Acho difícil alguém chegar ao final desse segundo episódio e não se sentir compelido a ver a série até o final – até porque são apenas seis episódios.

River tem tudo que um drama policial precisa para funcionar, um mistério que se complica mais a cada nova pista, um detetive com um envolvimento pessoal no caso e uma carga emocional intensa por conta de uma peculiaridade do personagem principal.

Obviamente o fato da série ter ótimos atores e uma boa direção garante que ela seja de fato algo que valha muito assistir.
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Se você chegou aqui, já está avisado que vou contar algumas coisas da série. Na prática vou falar apenas do final do segundo capítulo porque eu o considero bem marcante.

A partir do momento que você sabe que River vê e fala com pessoas mortas é inevitável questionar se a série vai pender para o misticismo ou para outro lado. Uma das pistas é que as pessoas com quem River conversa nunca falam algo que ele não sabe, funcionam mais como um auxílio ao raciocínio dele. Felizmente logo esse mistério é revelado abrindo espaço para a série e o personagem crescerem.

River sofre de algum tipo de esquizofrenia que o faz ver pessoas. Isso foi diagnosticado, mas nunca constou na ficha médica dele, o que o permitiu manter um emprego na polícia. A forma dele lidar com a doença também é bem interessante, pois ele sabe diferenciar a realidade da alucinação, basicamente porque a loucura dele tem um padrão, só se manifesta no formato de pessoas mortas.

Mas saber que aquela pessoa é uma alucinação não o permite a ignorar aquelas pessoas que atormentam a mente dele.

O momento no final do segundo episódio em que ele revela a situação dele e tudo que lhe custou esconder a doença é algo tão profundamente triste e tão belo narrativamente que a série me ganhou por completo ali.