Punho de ferro (Netflix)

Acho que eu nunca tive a oportunidade de me tornar fã do Punho de Ferro nos quadrinhos.

Quando eu comecei a ler de verdade heróis ele já era um personagem de terceira linha esquecido então não me interessou nem buscar as HQs antigas dele que formaram alguns fãs. Pretendo ler essa fase mais recente do personagem, mais pelos desenhos do David Aja do que qualquer outra coisa.

O personagem é um produto de uma época em que o misticismo do distante oriente fascinava os criativos e os filmes de lutas marciais encantavam o grande público dos anos 70, assim ascenderam os heróis que lutavam kung fu, concentravam suas energias com mantras e tomavam chás de ervas obscuras.

Enfim, introdução é para dizer que eu sei quem é o personagem, mas que não tenho um afeto profundo, minhas expectativas em torno da série foram, portanto, construídas meramente em cima do fato de eu ter gostado do Demolidor 1 e 2, da Jessica Jones e do Cage.

Eu vi meio por cima que as pessoas estavam criticando a série, que já se formou a famosa divisão odei vs amei vs não é tão ruim assim, mas, sinceramente, não me dediquei ainda a ler resenhas e argumentos contra ou a favor, fui para a série e a assisti inteira em dois dias (talvez isso já indique que eu não achei ruim).

Tem, obviamente os problemas técnicos.

A série tem todos os clichês possíveis para o gênero. Começa com o fato da série existir depois de Arrow, que tem exatamente o mesmo enredo inicial (jovem milionário dado como morto volta 15 anos depois como um exímio lutador), que, aliás, é bem parecido com o enredo de Batman Begins. Se fosse só isso, era até tranquilo, mas o clichês são mais estruturais, como os inimigos que viram amigos, o aliado que na verdade é um infiltrado do inimigo, que não verdade faz parte de uma facção “boa” do “mal” que talvez seja até pior. Aquele famoso rocambole que não para de girar e a cada momento muda quem está contra quem.

As lutas não são tão intensas e interessantes como as do Demolidor, por exemplo, e uma série do Punho de Ferro pedia lutas com uma coreografia e uma fotografia bem melhores do que foi feito.

Tem um desejo pessoal que eu ainda não vi atendido (espero que estejam guardando para os Defensores) que é uma cena bem típica dos quadrinhos que mostra os heróis em uma área que do nada fica completamente repleta de ninjas, não estou falando de meia dúzia como fizeram no Demolidor, eu quero vem uma centena de ninjas e os heróis no centro lutando até quebrar todos.

Acredito que na ânsia de criar um certo realismo, os produtores das séries esqueceram uma máxima dos quadrinhos de que nada morre mais fácil do que um ninja de elite.

Antes que eu me disperse mais, vamos voltar para o que eu gostei na série. Eles criaram toda a trama em torno do conceito de que o Punho de Ferro é uma arma. Então, se notar bem, a todo momento Danny Rand está sendo usado ou alguém está usando ele, porque é isso, para o mundo ele é uma arma e armas não têm vontade ou sentimento, são meramente apontada por alguém contra outrem.

No contraponto disso está o próprio Danny lutando para decidir seu papel como uma arma ou como pessoa. Ele é o Punho de Ferro e servirá um propósito ou é Danny Rand e servirá a si próprio.

Ah, tem muito mimimi/alongam a série de mais/os personagens são muito “humanos”? Talvez, mas não me incomoda, não vejo uma perda de ritmo (ao passo que também não há aqueles ganchos “tenho que ver agora”), se você tem tempo e está pré-disposto, como eu estava, é possível ver tudo de uma vez, bem como é possível ver sem pressa um episódio por mês.

Acho que uma coisa que derrubou um pouco a série em relação as outras é que o elenco de apoio não é tão grandioso. A enfermeira noturna (Rosario Dawson/Claire Temple) está lá, como em todas as séries, Colleen Wing (Jessica Henwick) é bacaninha, a Madame Gao (Wai Ching Ho) retorna fazendo o mesmo que fazia no Demolidor e o núcleo dos Meachum tem os dois irmãos a beira de um constante ataque de nervos (não por ter uma organização mística contrabandeando heroína na empresa deles, mas porque eles são empresários e empresários são estressados) e tem o pai misterioso que tem uma pegada tão Harry Osborn que eu não consigo olhar para David Wenham na série sem lembrar do Willem Dafoe no filme do Aranha.

Mesmo assim, eu gostei da série, achei que funcionou dentro do universo urbano que a Netflix/Marvel criou, não é frenética como o Demolidor ou intensa como Jessica Jones, mas vale para manter a gente no clima para os Defensores.

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