Quanta Academia de Artes

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Saiu um documentário sobre a Quanta Academia de Artes. É um documentário bem legal com depoimentos de vários professores, do diretor Marcelo Campos e demais profissionais da área.

Vale muito a pena assistir, são trinta minutos, ele está no final desse post e no canal da escola no youtube.

Vou aproveitar para retomar a seguir um texto que eu já publiquei um tempo atrás sobre a Quanta (revisei e ampliei o texto).

A primeira vez que fui para a Quanta, passei um ano e meio estudando lá e foi um período muito importante para mim.

Quando mudei para São Paulo tinha o sonho de estudar na Fábrica de Quadrinhos – escola/estúdio que precedeu a Quanta – mas por diversos motivos acabei não indo.

Passado o tempo senti que perdi o momento ideal para a coisa, que era um trem que tinha passado e ok.

Então rolou – e rola até hoje – o meu envolvimento com o UHQ. Tive o prazer de conhecer vários quadrinistas nacionais muito bons – inclusive o próprio Marcelo Campos -, a oportunidade de conversar sempre com Ronaldo Barata – na época webmaster do UHQ -, e fazer resenhas onde muitas vezes você tem apontar problemas sérios no trabalho das pessoas seja porque o leitor merece saber, seja porque você tem a boa intenção de que, ao apontar esses defeitos, o artista melhore com o tempo.

O UHQ e essa proximidade com o mundo dos quadrinhos são parte importante da minha vida e me trouxeram amigos maravilhosos, mas, paradoxalmente, me afastaram ainda mais da ideia de desenhar. Como eu, que já entendia o que estava errado, que criticava o desenho alheio poderia fazer um curso de desenho?

Parece óbvio que o curso de desenho básico é pra quem não sabe nada, mas não é tão óbvio assim. Você vai lá, em uma escola com os desenhistas bacanas, que você admira, que, no meu caso, eu já conhecia, e vai pegar uma folha e fazer o desenho mais patético do mundo.

Acho que, no fundo, o maior medo das pessoas ao ir para um do melhores cursos de desenho do país é a vergonha que você vai sentir ao mostrar o que você não sabe fazer. Isso era muito intenso no meu caso. Eu tentava desenhar e sabia que aquilo estava anos-luz de ser razoável, sabia que se eu fosse analisar aquele desenho ia ter que criticar muitas falhas, desequilíbrios e tudo mais.

O segundo medo da maioria das pessoas em fazer um curso de desenho é de não conseguir. Medos são coisas complicadas, eles cortam caminho na sua mente e passam na frente de qualquer raciocínio lógico. Eles fazem você ignorar o ponto básico: o curso é feito para que quem não sabe desenhar nada consiga aprender os fundamentos do desenho e para dar ferramentas suficientes para progredir.

Tem um terceiro problema que não acontece com todo mundo, mas que é o meu caso. Eu não quero ser ilustrador e quadrinista profissional. Eu só quero saber desenhar suficientemente bem para que o que eu faço me agrade. Eu quero desenhar bem para quando tiver uma ideia possa por no meu blog. Então me falta esse foco que muitos jovens tem ir até lá em busca de uma profissão.

Junta-se tudo isso com a ideia de que o curso será muito caro e você fica sempre adiando qualquer hipótese de fazer o curso – cabe já a ressalva aqui que a gente tem essa ideia que um curso na mais conceituada escola em um assunto custe uma fortuna, contudo considerando todo o valor agregado é um curso muito barato e de pagamento facilitado, até porque ele é feito para pessoas que estão ainda buscando uma carreira e não tem tanto dinheiro para investir.

Depois de muito tempo nessa, um dia eu conversei com o Barata por um bom tempo sobre o curso, tirei minhas dúvidas e tentei descobrir se “dava pé”. Depois disso tudo foi muito rápido, passei na Quanta, achei um horário ótimo em que o próprio Barata era professor e parti para um dos melhores investimentos que eu fiz na vida.

Tive um ano de aulas com o Barata, um sujeito excelente, extremamente dedicado e um artista completo e muito versátil. Com ele aprendi que o caminho para estilização vem de uma base sólida de estrutura e desenho mais naturalista, que desenho é um longo processo de internalização de ferramentas para chegar em um ponto em que você não depende mais de tanto esboço, tanta estrutura, porque tudo aquilo está na sua cabeça.

Depois por mais seis meses tive aula com o Olavo Costa (da revista O Contínuo), um baita artista, de uma modéstia extrema e um conhecimento muito amplo e que hoje é um dos coordenadores da escola. Ótimo professor, muito capaz, sabe o equilíbrio difícil dessa atividade em que você tem que corrigir o aluno sem julgar exatamente, porque, no fundo, não tem tanto certo ou errado em arte, está mais para o que funciona e o que não funciona.

Eu recomendo pra todo mundo – principalmente aqueles que gostam muito de desenho e acham que nunca conseguiriam fazer algo bonito – fazer um curso na Quanta. Não tenha medo, não tenha encanações. Vai até lá, conhece o pessoal, faz uma aula teste e descubra que o melhor curso de desenho que você poderia ter é totalmente acessível em todos os sentidos, assim como os grandes artistas que trabalham lá.

Depois disso ainda voltei várias vezes para a Quanta, para estudar anatomia, para estudar pintura. Mas isso é história para outro post.

E se você não é de São Paulo, às vezes vale fazer como várias pessoas que se programam para passar uma semana aqui e conhecer os cursos de férias da Escola. Não é a mesma coisa, isso é certo, não pelo curso, que é basicamente o mesmo só que em menos tempo, mas por você, em uma semana você não consegue amadurecer o que se amadurece em um ano, mas, mesmo assim, muitas vezes a gente só precisa de um bom ponto de partida para seguir em frente.

Assista o documentário e sinta a vibração bacana que tem essa galera.

quanta