Queer Eye

A netflix parece que se encontrou no nicho de ressuscitar programas do passado.



Recentemente ela relançou o reality show Queer Eye todo repaginado e com uma nova proposta.

Queer Eye for the straigth Guy é uma série de 2003 (nos EUA passou no canal Bravo e no Brasil era da Sony inicialmente e depois transitou por outros canais), no momento que explodia a febre dos reality shows e que os canais procuravam encontrar formas mais significativas para usar o formato que levava pessoas reais para o centro dos programas de TV.

Queer Eye for the straigth Guy, apesar de, como tudo, ter seus problemas (como o esteriótipo do gay, mesmo sendo um esteriótipo positivo do “gay refinado”), era um programa muito simbólico em vários sentidos.

Tinha 5 gays especializados (um em comportamento, um em gastronomia, um em moda, um em decoração e um em estética) que pegavam um sujeito hetero e “reformavam” o cara dos pés a cabeça.

O programa sempre pegava casos mais ou menos críticos e pessoas em uma situação que pedia uma mudança (o momento de pedir alguém em casamento, uma festa para apresentar a nova empresa, uma entrevista de emprego). Os especialistas chegavam, mudavam a vida da pessoa, davam várias dicas e deixavam ele pronto para encarar aquela situação. Eram uma espécie de fadas madrinhas modernas

A função do programa não era só “melhorar a vida de alguém”, mas trazer o gay como protagonista na TV, aumentar a aceitação do homossexual entre o público hetero e combater o preconceito.

A nova versão do programa pela netflix manteve a proposta, trouxe um novo elenco e focou em um uma seleção minuciosa de pessoas para “reformar”. Esse conceito de fazer o programa com menos episódios mas com uma seleção mais representativa ficou muito interessante. A produção conseguiu apresentar histórias que ressoam com problemas pessoais dos especialistas, algo que ajuda a quebrar o esteriótipo que resume a aqueles apresentadores em simplesmente ser “gay” e revelam a personalidade complexa desses cinco especialistas e não só dos “reformados”.

Outra mudança da Netflix foi derrubar o “for the straigth Guy”, o que permitiu um episódio onde eles ajudam um gay que está no momento de revelar para a família sua opção sexual. Permite também que eles ajudem uma mulher em outra temporada, por exemplo (o programa original teve um spin off chamado Queer Eye for the straigth Girl).

Uma coisa que vale ser dita é que pode parecer trivial as mudanças que o programa faz na vida dessas pessoas, mas, muitas vezes, as pessoas chegam em um ponto em que é preciso de um virada na vida. Elas precisam que alguém as ajude de algum jeito, que zere uma série de questões para que ela possa pensar com mais clareza e seguir em frente. Isso rompe o movimento de inércia descendente na vida da pessoa e coloca ela em um movimento contrário e, quando se está em movimento, é muito mais fácil manter o ritmo de subida.

No geral é um programa muito “fofo”, mostra histórias bem legais, os especialistas são bem carismáticos, vale muito a pena ver para se divertir, espero que a Netflix faça outras temporadas. Aliás, uma coisa que eu senti falta que poderia ter nas outras temporadas é uma aparição do equipe original do programa.

Elenco:

Antoni Porowski – especialista em vinhos e gastronomia
Tan France – especialista em moda
Karamo Brown – especialista em cultura
Bobby Berk – especialista em design
Jonathan Van Ness – especialista em visual

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