Quem são os Defensores? Quem é a Enfermeira Noturna?

18/08/2017 estreia a série Os Defensores na Netflix, um dos projetos mais ambiciosos do serviço de streaming.

Seguindo os moldes dos Vingadores no cinema, a Netflix construiu o seu mini-Vingadores com uma pegada urbana.

Foram quatro séries: Demolidor (resenhas da Primeira e Segunda temporadas), Jessica Jones (resenha), Luke Cage (resenha) e Punho de Ferro (resenha).

E agora os personagens vão se juntar em uma história que vem sendo montada em cada trama individual.

Eu assisti a todas as séries, gostei de todas e estou muito na expectativa de ver os Defensores.

Vou fazer uma recapitulação breve de tudo, comparar com os quadrinhos e dizer o que eu espero da série.

A primeira coisa a dizer é que os Defensores da Netflix não são os Defensores dos quadrinhos.

Originalmente os Defensores eram um grupo formado por Dr. Estranho, Hulk, Namor e depois o Surfista Prateado para combater ameaças cósmicas. O grupo foi criado na década de 70 pelo Roy Thomas.

O grupo nunca teve um grande sucesso, teve várias formações, mas sempre com esse foco em algo cósmico. (Na verdade, assistindo ao trailer mais recente do Thor, o grupo que vai se formar no filme parece mais com os Defensores do que o da Netflix)

A Netflix apenas pegou o nome que estava disponível no baú de direitos da Marvel e o usou para o seu grupo.

Talvez o nome correto para a série seria Heróis de Aluguel (Heroes for Hire) que era a agência do Cage e o Punho de Ferro que também tinha a participação da  Colleen Wing e da Misty Knight.

Mas, apesar de ser um nome legal, não tem o impacto comercial de OS DEFENSORES.

Algo muito interessante nesse universo compacto que a Netflix construiu é que eles trouxeram uma personagem sensacional para ser o ponto de ligação de todas as séries: a Enfermeira Noturna.

Na série, a personagem Claire Temple, interpretada por Rosario Dawson, não leva esse nome, mas ela é basicamente a personagem que o Bendis resgatou dos escombros dos anos 70 quando a Marvel publicou uma série para o público feminino que era uma novelinha em quadrinhos sobre uma enfermeira, sem nenhum envolvimento com o universo de super-heróis. No Brasil a série chegou a ser publicada como Enfermeira da Noite.

Quando Michael Bendis assumiu os quadrinhos do Demolidor, ele trouxe essa personagem que passou a funcionar como uma socorrista clandestina dos heróis. Na época esse resgate histórico foi muito elogiado e quando Claire Temple surgiu na série do Demolidor, não tinha como os fãs não vibrarem.

Não sei se isso era algo que estava nos planos desde o começo ou se a coadjuvante ganhou um relevância por causa do clamor popular, mas ela passou a aparecer em todas as histórias e é a única que conhece bem todos os Defensores, ou seja é de se esperar que ela seja o elemento que unirá o grupo contra a ameaça da Mão.

Aliás, A Mão (The Hand), que nos quadrinhos é o Tentáculo, é um grupo de mafiosos ninja, meio isso, envolvido com todo tipo de crime que apareceu no Demolidor e no Punho de Ferro e, pelos trailers, será o grande vilão dessa temporada, liderados pela gigante Sigourney Weaver.

Ou seja, a série terá muita luta, muitos ninjas, a volta da Elektra (Elodie Yung), namorada do Demolidor que morreu na segunda temporada (não se preocupe que nos quadrinhos ela é famosa por morrer e voltar) e o Stick (Scott Glenn), o velho cego que treino o Demolidor e é inimigo do Tentáculo.

Todos os trailers até agora indicam que essa organização vai iniciar uma batalha por Nova Iorque e só os Defensores juntos poderão impedir.

Em termos de adaptação dos quadrinhos, tirando o lance do nome, a série parece ser bem honesta. Individualmente os personagens foram bem adaptados, o universo de coadjuvantes deles foi bem construído, o vilão é legal e com um escopo bem amplo (garante intriga, misticismo e muita luta). Como grupo, tanto nos quadrinhos como na série, os personagens orbitam pela mesma área, tem muitas afinidades no sentido de serem heróis pé no chão, urbanos, com muitos problemas pessoais. São os verdadeiros personagens “redondos”, cheios de meandros e complexidade e, o Demolidor por exemplo, terminou sua segunda temporada em uma situação caótica, ou seja, vai voltar como um personagem quebrado precisando reconstruir a vida, como todos ali, na real.

Aliás, o melhor trailer da série, esse aí embaixo, traz o Stan Lee falando sobre os personagens e é muito bonito, porque é a lógica dele por trás desses heróis tão humanos que ele construiu e que funcionam perfeitamente até hoje.

E o que eu espero da série?

Eu não espero que seja a melhor série TV, na boa, não é pra ser cabeça, complexa e brilhante, é pra ser divertida pra caralho, cheia de ação, piadas, tensão e é pra ter aqueles momentos épicos, aquelas viradas em que o herói salva o dia depois de sofrer muito. Vai ter todos os clichês, herói contra herói e tudo mais, mas  se tiver ritmo, se empolgar, se arrepiar aquele sentido nerd e fizer lembrar de como era divertido demais ler quadrinhos de super-herói, tá ótimo.

Fora isso, só tem uma coisa que eu não vi até agora que eu queria muito ver: uma cena em que os heróis estão cercados por muitos ninjas. Não uma dúzia, um mar de ninjas que não cabe nem na tela. Só isso eu quero ver (acho que não vai ter, mas não custa sonhar).

Aliás, eu citei o Bendis quando falei da Enfermeira Noturna, mas é importante lembrar que sem esse roteirista provavelmente não existiria Defensores. Ele revitalizou o Demolidor, retornou o Cage para o protagonismo e criou a Jessica Jones. Ou seja, esse cara que foi uma das estrelas da história recente da Marvel é tão pai dos Defensores quanto o Stan Lee que criou a base de tudo.

Vídeo que eu fiz sobre a série

Trailer que eu citei acima