Releitura: como aproveitar ao máximo seu mapa de influências

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Apesar de releitura parecer um termo gurmetizado para cópia, acho que é o que melhor se adéqua para o tipo de exercício que eu vou falar que é muito útil e que talvez seja um dos mais importantes no aprendizado do desenho e da pintura. Alguns falam releitura, outros master copy e sempre vai ter que chame pura e simplesmente de cópia, como se fosse alguma ofensa. Mesmo querendo dizer coisas parecidas, vamos separar aqui os termos de forma mais prática. A releitura é quando você pega uma referência de outro artista e faz ela do seu jeito, com a sua técnica ou o seu estilo. Por exemplo, no vídeo desse post eu faço uma releitura do Sargent. A referência original é uma pintura a óleo e, por mais que eu tente manter o mesmo estilo de desenho e pintura, o que eu fiz é uma aquarela que, obviamente, vai  sempre chegar a resultados diferentes e tudo bem, porque isso é uma releitura. Um outro exemplo de releitura seria pegar um desenho do Mike Deodato e refazer com o mesmo posicionamento, mesmos valores de luz e sombra mas em um estilo mangá ou um estilo mais indie finalizado no pincel. A master copy é um outro tipo de exercício. Você pega uma obra, por exemplo um quadro a óleo do Sargent e tenta replicá-lo também em óleo, mas seguindo os passos mais prováveis que o pintor seguiu. O objetivo não é só fazer uma mera cópia, mas tentar replicar a lógica de pensamento do artista e aprender com essa lógica. Tem muitos artistas que são mestres nisso, no Brasil tem um cara chamado George Mend que até dá um curso de master copy de pintura à óleo. A cópia pura e simples é uma coisa mais bruta e sem propósito. Pode ser um decalque (colocar um papel por cima do desenho e copiar para transferi-lo), pode ser o uso de um grid. Por mais que tenha algum valor conseguir copiar algo assim, em termos de aprendizado não ajuda tanto, porque você só está copiando linhas, sem aprender a lógica de fato do artista, sem conseguir absorver nada que possa ser útil para o seu trabalho no futuro. Agora, tanto a releitura quanto a master copy são exercícios importantes de aprendizado e são extremamente úteis. Quando você parte de um trabalho muito legal, você já começa com o jogo ganho, porque o artista que você está usando já resolveu as questões de luz e sombra, de composição, de cores e de várias outras coisas que você tem que ficar racionalizando quando está partindo de uma foto para chegar em um desenho ou pintura legal. Tem um monte de gente que fala que copiar a errado, que você tem que criar suas coisas, mas, até aí, tem gente que diz que não se deve usar referência para desenhar. Não precisa escutar nenhuma dessas bobagem. Como Newton disse: se eu vi mais longe, foi por estar sobre ombros de gigantes. O trabalho de grandes artistas que vieram antes de você tem muito para ensinar. Entender como esses caras brilhantes pensavam, a escolha que faziam, é um caminho não só para chegar no nível deles, mas para ultrapassá-los conforme você estuda artistas diferentes e compõe seu repertório próprio. Aliás, o mapa de influências pode ser uma boa ferramenta para isso. Como eu expliquei nesse post, o mapa de influências nada mais é que uma lista de artistas que você admira e cujo trabalho tem diversos elementos que você queria agregar no seu. Então, se você ama hachura, é válido ver como um Sergio Toppi trabalhava e tentar replicar o trabalho dele e entender as escolhas dele para criar a malha de hachuras. Você não precisa querer virar o Toppi, só pega nele o que interessa, os elementos do trabalho dele que influenciam você e tenta entender a lógica dele para trazer para o que você faz. O único alerta que eu deixaria é algo quase besta de falar, mas sempre que você faz uma coisa dessas é algo que é um exercício, um apuro de técnica e, se você quer postar e falar “olha que legal o que eu fiz” é honesto falar que se trata de uma cópia, de um exercício e citar o autor original. Mais do que honestidade, é algo que evita que você passe vergonha. Não tem nada errado em copiar um artista, só é feio dizer que você criou algo que não criou.