Robô Esmaga

Vou começar a falar sobre o Robô Esmaga de Alexandre S. Lourenço com o maior elogio que eu posso pensar que é o fato dele ser uma das minhas inspirações para fazer as histórias em quadrinhos que eu tenho publicado aqui no site. Por mais que o roteiro da grande maioria delas não seja meu, eu sei que o Lielson também é fã do autor – tanto que ele assina o texto da quarta capa do livro.

Lourenço está na ativa já tem um tempo, seja pelo seu blog, pelas publicações independentes Gibi, sim senhor ele tem desenvolvido um trabalho consistente e expressivo que foi reconhecido pelo HQMix e agora saiu em uma publicação pelo selo Ink da JBC.

Para a JBC, Robô Esmaga é um  passo bem interessante, pois dá o tom do que pode ser publicado pelo seu selo alternativo batizado de Ink. Veja, a JBC vem lançando aos poucos quadrinhos nacionais (não que seja um obrigação, já que a linha editorial dela sempre foi trazer quadrinhos japoneses para o Brasil), mas sempre com uma estética ligada ao mangá, que é o seu cerne.

Robô Esmaga é totalmente diferente disso. Um traço simples, uma narrativa simples, grandes vazios e micro-histórias  reflexivas, maduras, singelas, poéticas.

A simplicidade é o que marca o trabalho de Lourenço.

Tem duas coisas que me atraem muito no trabalho dele que é essa poética cotidiana que é bonita sem ser pedante e as histórias terem personagens. Pode parecer bobagem porque esses personagens são protagonistas de passagens tão instantâneas que poderiam muito bem serem anônimos, poderiam ser qualquer um, mas Lourenço os batiza, os personifica. É algo que o Liniers faz em Macanudo (aliás tem vários paralelos com Liniers em termos de roteiro nessa HQ), que de forma simples, sem complicar, sem carregar de passados e adjetivos, torna aquela pessoinha da história em alguém. Não sabemos nada sobre Ana, Carlos, Sérgio, Henrique ou qualquer nome que ele escolha para seus personagens, mas sabemos que eles são alguém, que eles têm uma história.

É bobo, mas pelo menos para mim funciona. Nos contos que eu já publiquei aqui no site, o nome sempre foi um ponto de partida, posso não falar tudo do personagem, posso focar só no que me interessa, mas ele é alguém e aquele momento é só dele.

Se cabe uma crítica a edição, é que em alguns momentos a letra ficou extremamente pequena, obviamente era um desafio publicar essas HQs que foram pensadas inicialmente para a infinidade da tela do computador, mas, talvez, autor e editora talvez tivessem que buscar uma adaptação melhor para o impresso para preservar a fluidez da leitura.

Enfim, acho Robô Esmaga uma aposta extremamente ousada da JBC, não sei se é algo que vende ou não, mas ir para as bancas, ir para as livrarias já é o único teste possível para descobrir isso e, independente do sucesso ou não, o livro estar disponível e encontrar leitores – não importa quantos – é excelente, pois esse trabalho do Alexandre merece ser lido e a editora merece um retorno bom da sua aposta para continuar trazendo mais coisas diferentes e lindas como Robô Esmaga.

Se você ainda não se convenceu, coloquei uma tira bem nerd, mas que eu gosto muito, do autor no final do post.

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