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Sons of Anarchy

Finalmente assisti ao final de Sons of Anarchy. A série se encerrou em 2014, depois de sete temporadas , mas eu estava acompanhando pela Netflix e só no mês passado o serviço disponibilizou a última temporada.

Basicamente a série é sobre uma gangue de motoqueiros, os Sons of Anarchy (também conhecidos como SAMCRO – Sons of Anarchy Motorclub Redwood Original, porque o clube tem várias filiais, mas a história foca na filial que fundou o grupo), que opera na cidadezinha Charming com negócios legais (um estúdio de pornografia) e ilegais (tráfico de armas pesadas vindas do IRA).

A primeira vez que eu ouvi falar da série foi em um comentário que a estrutura da história era inspirada em Rei Lear (de fato uma boa parte é mesmo) e ouvi vários elogios a série.

É uma história relativamente enxuta, com dois grandes atores no elenco principal, o Ron Perlman (que faz o Clay Morrow) e a Katey Sagal (que faz a Gemma Teller Morrow, esposa dele e mãe do personagem principal). [Vou abrir um parênteses aqui, quem assistiu a Married with Children no final dos anos 80, ela era a esposa do Al Bundy e é bem estranho vê-la em um papel dramático/sombrio, mas ela está excepcional na série, tanto como atriz como em relação ao personagem na narrativa]

O personagem principal Jax Teller (Charlie Hunnam), no início da série é o vice-presidente do SAMCRO e filho do falecido fundador do grupo, quando ele descobre o diário do pai começa a repensar as escolhas do grupo e o caminho de violência que a criminalidade em que eles estão envolvidos causa.

Sons é aquela narrativa que tem se popularizado que foca no bandido ou no “bandido com coração de ouro”. É uma escola que vem de Sopranos e passa por várias outras narrativas até o recente sucesso de Breaking Bad.

Você simpatiza com todos os personagens, torce pelos criminosos e contra os policiais, mas os personagens sempre lembram qual a natureza deles. Jax Teller, por exemplo, é um cara preocupado com a família, quer seguir a filosofia do pai e colocar o grupo em um outro rumo, mas todos os planos dele, mesmo mirando no que é certo, sempre passam pela violência, porque é a único caminho que ele sabe, é a verdadeira essência dele.

Aliás, falando dos planos do Jax, apesar de nem sempre darem certo, todos são extremamente engenhosos e a movimentação dos criminosos parece mais um jogo de xadrez do que uma lei do mais forte.

A série é bem divertida, os personagens são excelentes nas suas peculiaridades, tem aquele ar meio Easy Rider, meio On the Road, tem meia temporada que se passa na Irlanda, que é bem legal, tem violência, ação e episódios que sempre terminam em ganchos fortes. Se bobear você senta e assisti sem parar por horas para saber o que vem a seguir.

Uma frase que resume bem a série, dita pelo Jax perto do final da sétima temporada (que aliás é a mais frenética e violenta de todos), é: “me desculpem se a família que me foi dada prejudicou tanto a família que eu escolhi”.

A série tem 7 temporadas (todas na Netflix), mas todas são de 13 episódios, então não é tão longa assim, recomendo para quem está procurando alguma coisa para ver, principalmente por ser uma série já fechada e que, aliás terminou muito bem (exceto pelo CG da cena final, poderíamos passar muito bem sem aquilo). Só alerto que é uma série um tanto crua, não economiza na violência, não perfuma a vida, não alivia no visual nem nos texto, então não espere aquelas histórias limpinhas, bonitinhas, para dar uma ideia, a série lembra muito The Shield (inclusive tem o mesmo roteirista e compartilha vários atores).

 

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