Star Wars: Os Últimos Jedi – Resenha com Spoilers

Eu ia fazer dois textos, um com e um sem spoilers, mas pensei melhor e, normalmente, quando eu faço uma resenha, o faço na intenção de recomendar algo a alguém que, de outra forma, não se motivaria a ver aquele filme ou ler aquela HQ. Por isso eu não dou spoilers ou coloco os spoilers a parte.



Mas vamos combinar que ninguém precisa de uma motivação extra para ver Star Wars. A série tem uma base de fãs absurda, a pré-estreia a meia-noite teve dezenas de salas lotadas no Brasil e, veja, o filme tem 2h30, ou seja, muita gente passou uma noite de quarta-feira sem dormir para ver o filme.

Então é seguro presumir que que o filme não precisa de ajuda de opinião nenhuma para ser um sucesso e, para a extensa base de fãs, mesmo se o filme for criticado, não importa, eles vão no cinema, porque a Disney conseguiu reascender essa religião espacial e transformá-la em um evento anual.

Dito isso, atenção, spoilers a frente:

Bom, eu gostei do filme e acho que gostaria dele simplesmente por existir.

Dito isso, a primeira impressão que eu tive do filme é que ele teve alguma mudança drástica de direção no decorrer. Eu acho os primeiros dois terços do filme são meio sem graça, meio mornos e visualmente muito bregas.

A cena em que a Leia está morrendo no espaço é de uma cafonice absurda. Tudo bem que tem o choque de ela ser capaz de usar a força, mas não gostei da cena.

A sala do trono do Snoke é bem bizarrinha e, como muitas coisas, parece não ter sido só inspiradas no visual da série original e sim ser algo de 30 anos atrás.

Mas sei lá, até a cena da retirada para o planeta Crait e a batalha lá eu achei o filme meio qualquer nota em termos de ação e com uma fotografia deprimente, mas toda a sequência nesse planeta até o fim do filme não só é emocionante como é de encher os olhos.

E é curioso que é mais uma questão de ritmo do que de trama, porque acontece muita coisa no filme e muita coisa surpreendente.

Nesse aspecto, aliás, não tem como reclamar. O filme foi bem diferente de qualquer coisa que eu imaginava.

Não só a Leia usando a força para se salvar, mas a história do Luke e o plano final dele e as duas grandes surpresas que foram totalmente anti-climáticas mas muito bem vindas: a morte do Snoke e a revelação sobre os pais da Rey. Esses dois pontos são aquelas coisas que eu esperava que fossem totalmente diferentes, mas que eu gostei muito de ficar paralisado pela surpresa.

Eu reassistiria ao último terço desse filme um milhão de vezes, só pela sequência na neve e pela volta do Luke. Mas acho que, apesar da história inteira do filme ser excelente tanto para esse filme em si quando para o conjunto da saga, ficou devendo um pouco em termos de ritmo.

Outro ponto positivo, é que diferente do anterior, esse filme não tentou fazer uma releitura precisa da saga original, apesar de ter seus paralelos como a Capitã Phasma, que é o Boba Fett dessa trilogia (todo mundo queria ver ela sendo uma grande personagem e morre sem fazer nada demais), e o DJ (do Benicio del Toro) que é o equivalente Lando Calrissian (pela traição).

Tem um ponto que eu achei muito copiado do Batlestar Galactica, que é a sequência da fuga dos rebeldes, mas tudo bem, porque Galactica é uma baita série e merece ser copiada e chega até a ser uma ironia, porque a Galactica original é uma derivação do Star Wars.

Adorei a participação do Yoda dando um recado para os fãs, destruindo o cânone do passado, falando sobre o quanto o fracasso ensina. BB8, apesar de vários exageros, é um personagem cheio de surpresas e de grandes momentos.

Tem uma polêmica sobre as pessoas que enriquecem com a venda de armas para os dois lados da guerra, não sei porque as pessoas estão falando disso como se fosse uma novidade sendo que 90% da ficção americana pós 11 de Setembro é sobre isso, então todo debate possível já foi esgotado e Star Wars sempre foi muito claro no aspecto que o que diferenciava o bem do mal é que apesar dos dois lados estarem dispostos a sacrificarem soldados, o mal sempre tratou os soldados como algo que está ali para morrer mesmo. Como bem resume a Rose, no momento que ela salva o Finn, “Não vamos ganhar atacando quem odiamos, mas sim salvando quem amamos”.

Dá pra falar um milhão de coisas, citar uma centena de referências legais (como o rastreador que parecia o capacitor de fluxo do De volta para o futuro), mas acho que no geral é isso. O filme tem uma baita história, mas ficou devendo um tanto na direção.

O que vem depois?

Não quero nem dar palpite, porque esse filme mostrou que estão dispostos a fugir do previsível, mas é um palpite honesto dizer que vai acabar mais ou menos como a primeira trilogia, a primeira ordem derrotada por um sacrifício de última hora do Kylo Ren, Rey reconstruindo os Jedis e a república sendo reestruturada.

Não sei o que vão fazer com a Leia, se vão fazer tudo em CGI ou se vão tirar da cartola um novo líder político para a República, mas ela parece ser muito central na história.

Sobre atuações, Star Wars nunca foi muito famoso por isso e nem nunca dependeu disso, mas a Laura Dern foi um show a parte com a sua Vice-Almirante Holdo, outra grande personagem que surge e morre no filme e que é grande por isso, mas é uma pena.