The Dark Knight sinks

Assisti o filme finalmente.

Estava com muita expectativa e infelizmente sai muito frustrado do filme.

Veja bem, não é um filme ruim. É um filme muito bom, são quase 3 horas que não te cansam, o som é grandioso – havendo a possibilidade veja em IMAX que valoriza muito o som – os atores são bons e cenas de ação poderosas.

O Bane é muito melhor que a versão dos quadrinhos, principalmente o visual – mas isso também não é algo muito difícil de se fazer que ele é um personagem fraco nos quadrinhos que foi criado para participar de um momento importante na mitologia do Batman.

É um filme do Nolan e não uma história do Batman – e nesse ponto eu acho que pode ser a grande mudança de perspectiva até para os quadrinhos, alguém ter a iluminação que você pode dar o Batman/Superman etc para qualquer autor e falar: faz o que você quiser, no seu estilo, sem se importar se isso encaixa com a alguma cronologia, ou não e sem querer fazer algo que será importante para sempre no mito do personagem. Isso seria a salvação dos supers, porque nessas você pode fazer algo surpreendente como foi o filme anterior onde você cria e mata um personagem (Duas-Caras) para meia hora de filme.

Mas voltando a decepção o que me estragou muito foi o fato do filme ser extremamente previsível. Toda aquela blindagem anti-spoiler para evitar perder a surpresa de grandes revolução como ocorreu no filme anterior criou uma expectativa que é frustrada nos primeiros 10 minutos de filme

Todo o cuidado que a Warner tem com a divulgação, com as escolhas feitas nos trailers é algo necessário para deixar pelo menos alguma surpresa, pois assim que começa o filme ele já aponta para onde vai e não desvia o caminho em nenhum momento.

Caso você não seja um leitor de quadrinhos tem duas coisas que provavelmente você não pegará as dicas e talvez se surpreenda – apesar que eu já ouvi casos que a direção entrega o jogo mesmo para quem não leu os quadrinhos.

Outra coisa que me incomoda muito nessa versão do Batman é que todos os personagens são relativamente “realistas”, fogem das fantasias para um figurino com a estética da fantasia mas composto de peças que as pessoas usariam normalmente; Gotham passa uma sensação bem realista – aliás nesse filme o centro de Gotham ficou a cara do centro de São Paulo, muito interessante isso -; e com tudo isso combinando, o Batman sobra. Ao invés de se destacar ele naquela armadura, fica ridículo. Em um certo ponto do filme quebra até aquele conceito dele usar a fantasia para causar medo, porque a fantasia não funciona a não ser que seja para causar surpresa saindo das trevas.

No geral eu achei o filme mais fraco da série na relação “expectativa X realidade” e ainda prefiro a diversão descompromissada do filme dos Vingadores a toda essa aura de seriedade do Batman.

Eu quero comentar algumas coisas sobre o que acontece no filme, mas, daqui para frente, eu aconselho ler somente se você já viu o filme porque isso certamente é um spoiler que vai estragar qualquer possível surpresa.

Marion Cotillard talvez tenha sido a atriz menos divulgada do filme, aparece de relance em alguns trailers, mas ela é uma atriz de renome e tem o nome divulgado no cartaz.

Você sabe que ela não está ali para fazer uma ponta. E quando ela aparece como uma milionária misteriosa de sotaque estrangeiro que é a única que está alinhada as ideias de Bruce Wayne, você sabe que ela é a Tália e como isso não é dito você sabe que a revelação dela vai ser uma “surpresa” e a única surpresa possível e a traição em um momento crítico e, nenhum momento é mais crítico do que quando Batman derrota o Bane.

Nem vou entrar no mérito da cura mágica da coluna porque ao implicar com isso você teria que implicar com tanta coisa que todo o filme perde sentido.

O Blake – que tem o nome que soa como Drake, o terceiro Robin – logo no começo vai falar com Bruce Wayne e revela que sabe – ou tem uma forte suspeita – de que ele é o Batman. Essa desconfiança é muito plausível para quem olha de fora, mas você precisaria ser um bom detetive para desconsiderar todos os truques que Bruce Wayne usa para se distanciar do vigilante. Para quem não conhece Drake isso não significa nada, contudo, para quem conhece sabe que ele é o Robin que era um grande detetive antes de conhecer o Batman, tanto que ele faz o mesmo que o Blake e junta as peças e descobre o segredo do morcego.

Pra mim o conceito que o Nolan menos aproveitou foi o Batman como “lenda”, como “símbolo”, ele poderia ter aleijado ou mesmo matado Bruce e ter transformado o Blake no novo Batman nesse mesmo filme e não ter usado ele como sidekick e deixado insinuado que ele seria o novo morcego na última cena do filme.

Pra mim faltou ousadia nesse ponto para usar um conceito que ele bateu forte nos dois filmes. Agora, a sorte do Nolan é que ele parou sua história ali, porque que tipo de Batman poderá ser o Blake com a sua caverna embaixo da mansão que virou orfanato e sem o único poder do Batman: a superfortuna sem fim – aliás outro detalhe realista, a fortuna nesse filme encontra um fim.

De qualquer forma, pelo menos essa série existiu para termos o Batman – The Dark Knight, com o melhor Coringa de todos os tempos.


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