The good place – resenha sem spoilers

Tenho que confessar que 95% da minha motivação para ver essa série foi a presença do Ted Danson. Sei lá, ele nem é um puta ator, mas me parece ser um cara que sempre é bem escalado para papéis em que ele se encaixa perfeitamente e eu simpatizo muito com ele por conta de séries como Damages e Boring to Death. E, como sempre, ele não decepciona. Ele está perfeito no papel em todos os momentos, mesmo com um jeito meio canastrão e espalhafatoso, ele combina demais com o personagem.



A série é sobre esse “Good Place” que seria o lugar para onde as boas pessoas vão depois de morrer e Kristen Bell interpreta Eleanor Shellstrop, uma pessoa ruim que acabou indo para esse lugar por engano.

Ted Danson é Michael, o arquiteto que coordena o vilarejo repleto de pessoas perfeitas.

Essa premissa em si já dá uma boa comédia. A pessoa horrível que após a morte é colocada para viver com um professor de ética extremamente inseguro, Chidi Anagonye (William Jackson Harper) que tenta lhe ensinar a ser uma pessoa melhor.

A primeira temporada da série é uma boa sitcon, com boas piadas e um ritmo muito bem feito em que um episódio sempre acaba com gancho que quase obriga a ver o próximo.

A segunda temporada ainda é cômica, mas tem uma dinâmica diferente e um aprofundamento curioso dos personagens. Aliás é muito legal o quanto a série trabalha os personagens e cria toda uma complexidade neles que nem parecia possível na primeira temporada.

Particularmente, eu acho  a segunda temporada meio perdida no começo. Parece que ela não foi tão planejada, tem uma cara meio de reação às situações do episódio anterior e o ritmo da história vista como um todo é muito perdido. Ao mesmo tempo que melhora perto do fim, o último episódio me parece algo que deveria ser ou o primeiro da próxima temporada ou um final definitivo (aliás, pra mim, o final da segunda temporada é o melhor final possível para a série, infelizmente eles vão fazer um terceira temporada, que pode ser muito boa… mas também pode dar muito errado).

Eu acho que sem a segunda temporada a série seria bem medíocre. Divertida, mas nem um pouco memorável. A segunda temporada melhora um pouco a situação, mas, mesmo assim, eu sinto uma falta alguém que cuidasse para que a história fosse melhor  elaborada no quesito dos arcos narrativos.

Para quem não viu a série, eu diria que vale ver porque é curtinha, poucos episódios curtos e tem lá seus bons momentos, tem lá suas boas piadas e, na média, não decepciona.

Tem outro lado da série que é essa questão de “céu” e “inferno” e a discussão sobre o que é ser uma pessoa boa ou não e mesmo a discussão que surge mais a frente sobre o que é, em si, ser uma pessoa.

Então, a série ainda pode ser vista como algo com mais camadas, muitas metáforas e, para quem curte essas pirações, é um prato cheio adicional.