Thor: Ragnarok (resenha com spoilers a parte)

Apesar de eu gostar dos dois primeiro filmes do Thor, eles sempre foram considerados menores dentro da sequência de sucessos retumbantes da Marvel. Thor (Chris Hemsworth) e seu irmão Loki (Tom Hiddleston) aparentemente funcionaram melhor dentro dos Vingadores do que nos filmes solo.

Só que desde quando começou esse grande projeto da Marvel até agora, muita coisa mudou e Capitão América: Guerra Civil foi uma espécie de divisor de águas que certamente inspirou o Thor no sentido de que um filme solo pode estar bem mais entranhado na história maior que está sendo desenvolvida e pode conter mais personagens do elenco principal.

É interessante que antigamente essa era uma coisa que os produtores de cinema tinham como impensável e agora é algo que se mostrou uma fórmula de sucesso.

A presença do Hulk e do Dr. Estranho no filme sustentam a história, deixam o filme muito mais divertido sem roubar o protagonismo do Thor.

De certa forma o filme adapta duas séries bacanas da Marvel, que são Thor: Ragnarok e o Planeta Hulk, ao mesmo tempo que criam uma história totalmente diferente.

O pano de fundo visto nos trailers é a destruição de Asgard pelas mãos de Hela (Cate Blanchett), a deusa da morte, e, no meio do processo de tentar salvar seu povo da destruição eminente, Thor é lançado em Sakkar, governado pelo Grão-Mestre (um planeta governado por um personagem recorrente do Guardiões da Galáxia, o Colecionador eu confundi e achei que era o colecionador por causa das roupas e da maquiagem, mas não é). Nesse planeta ele encontra o Hulk aprisionado lá lutando como gladiador em uma arena gigante. Com exceção do Grão-Mestre e outros detalhes essa é a história do Planeta Hulk e o Thor cumpre o papel que, na HQ, é do Surfista Prateado (essa HQ também tem uma versão em animação e nesse papel está o Bill Raio Beta, cuja cabeça é uma das esculturas que aparece no prédio do Grão-mestre em Thor: Ragnarok).

Parece confuso, mas, como todo filme da Marvel, apesar de ser cheio de referências intrincadas, cheio de piadas internas, interligações com outros filmes e tudo mais, a história é extremamente simples porque, no fim, o plano da Marvel é ser o mais abrangente o possível para o público.

Então, basicamente, é um filme de ação, com muito humor, sobre o fim do mundo e um príncipe que está tentando salvar seu povo com a ajuda de aliados que encontra pelo caminho.

Tem mil histórias assim, o que faz Thor especial é estar inserido nesse projeto que faz todo o público se sentir nerd. Porque mesmo se você nunca leu uma HQ na vida, só de ter visto os filmes você assiste o Thor 3 e entende porque nós que lemos quadrinhos vibramos tanto quando as histórias se cruzam, quando coadjuvante de uma história é protagonista de outra e antagonista em outra ainda.

Essa sensação, esse divertimento quase “burro” de tão simples é uma das receitas de sucesso das HQs de super-heróis e, cada vez mais, a Marvel prova nos cinemas que a fórmula é certeira.

O filme não precisa ser denso, não precisa ser inteligente, não precisa nem ter uma grande história intrincada, só precisa ser divertido em cada detalhe.

Isso é o Thor, a história de fim do mundo mais colorida e divertida que você já viu.

Esteticamente o filme parece ter seguido muito as opções de Guardiões da Galáxia, inclusive a cena inicial de ação lembra muito o início de Guardiões 2.

No geral, gostei de tudo no filme, me diverti demais, ele é longo sem ser cansativo e é muito bem filmado (aliás fica espetacular no IMAX, então, se tiver a oportunidade, assista nesse formato porque vale a pena).

Pra fechar, eu queria comentar uma coisa que eu tinha falado quando fiz esse vídeo sobre o trailer e uma outra questão sobre a trama, só que eu considero esses ponto um spoiler, então, se não viu o filme, pare a leitura aqui.

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Eu adorei que os roteiristas simplesmente meteram um foda-se para como o Hulk chegou em Sakkar. Na HQ ele foi para o planeta depois de ter sido sequestrado e exilado por outros heróis. No filme ele estava ali, na cena final dele em Vingadores 2, em que ele está em um jato fugindo para se isolar e, basicamente, o jato caiu em um portal que o levou para esse planeta cercado de portais. E, mesmo isso que eu estou falando é uma dedução minha juntando as coisas, porque eles de fato não justificam nada no filme, o Hulk e o jato em que ele estava estão nesse planeta desde o final do filme anterior e pronto. Sei que isso parece furo de roteiro, solução mágica, mas cara, ele é um gigante verde em um mundo de deuses, magia e portais espaciais, não precisa ficar explicando tudo, nada ali é real, parte disso e segue para fazer uma história divertida. Achei essa opção não só boa, não só bem típica dos quadrinhos, como, também, bem libertadora para os próximos filmes. Em um mundo de fantasia, tirar um pouco o pé do pedal de excesso de explicação para acelerar na diversão, no geral, é uma opção que gera o melhor resultado.

Outra questão é a história da Hela. No começo do filme quando revela que ela é a irmã mais velha do Thor que ele nem sabia que existia, achei uma opção meio ruim, mas, depois, por causa da forma como amarram a história dela e do Odin, achei que funcionou muito bem, principalmente porque não caíram na bobagem de puxar um pieguismo gratuito de laços fraternos. Thor não está nem aí para o fato dela ser a irmã dele, ela é só uma pessoa que quer destruir Asgard para ele.

Um último ponto é que eu esperava um pouco mais de presença do Dr. Estranho. A cena dele é bem legal, funciona muito bem na história, mas, sei lá, eu passei o filme inteiro esperando ele voltar em um ponto ou outro. Sei que não cabia na história, mas, mesmo assim, é uma pequena frustração.

 

versão em vídeo da resenha