Todas as polêmicas da CCXP respondidas em uma frase

A CCXP que já começou grande, cresceu mais ainda e virou aquele tipo de monstruosidade que não pode ser ignorado. Aquele evento que todo mundo “tem” que ir.



Quando uma coisa toma uma proporção dessas, quando abrange um volume absurdo de pessoas e recebe a maioria das pessoas que compõe um nicho, no caso da CCXP o “mundo nerd”, a percepção de quem quer participar do evento nubla um pouco.

É claro que a CCXP  meio que incentiva isso, ela trabalha o ano todo em uma divulgação que tenta passar uma sensação de pertencimento ao público, que tenta passar a imagem de que o evento é uma criação coletiva, que ir ao evento é fazer parte de algo.

O problema dessa ideia é que as pessoas passam a confundir o público com o privado, passam a achar que a CCXP é um tipo de praça ou um órgão do governo, que ela é do povo e passam a querer participar das decisões.

Todas as polêmicas que eu vi esse ano sobre esse evento se respondem basicamente da mesma forma:

A CCXP é um evento organizado por uma entidade privada e que estabelece suas próprias regras e critérios.

O evento não é uma democracia, não é uma construção coletiva, é uma empreitada  em que um grupo de pessoas investiu dinheiro para ganhar uma quantidade bem maior de dinheiro.

Quando a CCXP quer que você vibre e sinta que vai ser épico é porque ela quer que você entre na vibe, compre ingresso e faça mais pessoas comprar ingressos para a empresa por trás de tudo ganhar mais dinheiro.

Mas vamos as polêmicas. A primeira grande polêmica do ano por causa das tais mesas do Artist Alley.

Dentro da CCXP tem o “Beco dos Artistas” uma área onde os artistas pagam caro para ter uma mesa para expor e vender os seu trabalhos. Mas dinheiro não é o único pré-requisito, você tem que se inscrever e ser selecionado para poder pagar por uma mesa.

No começo do ano houve muita reclamação porque vários artistas não conseguiram mesa e alguns que conseguiram não tinham o foco nos quadrinhos e sim na ilustração e na venda de fanart.

Tudo bem, a CCXP não abre seu critérios, mas, internamente, eles têm seus critérios e, no fim, tudo isso é subjetivo.

É justo que o artista X foi escolhido e o Y não?

A resposta é não importa. A CCXP é uma empresa, não tem que fazer justiça. Ela tem um número limitado de mesas para comercializar e escolhe para quem aluga. Já pensaram se ela decide fazer um leilão? Quem paga mais leva a mesa?

Isso seria justiça?

Depois veio meio junto a questão dos cosplays selecionados, que basicamente é uma variação do que aconteceu no Beco dos Artistas.

A polêmica mais recente é a questão da credencial para “jornalistas”.

O termo “imprensa” está se transformando em uma coisa cada vez mais difusa, 15 anos atrás, se houvesse a CCXP e ela não fosse feita pelo Omelete, talvez o site não fosse credenciado por não ser um veículo formal de imprensa.

Com o passar do tempo isso foi se fragmentando e hoje qualquer um pode ter um site e/ou canal no youtube e se chamar de imprensa. Veja, eu tenho um canal no youtube e, se quisesse, posso me chamar de imprensa.

Agora pensa pela lógica da CCXP, o ingresso mais barato para um dia custa $100. Se você tem um canal no youtube médio para pequeno, quem tem mais interesse: o canal que precisa da audiência que a cobertura do evento traz ou o evento que já está consolidado?

No fim, no tamanho que a CCXP tem hoje, ela prefere o dinheiro do ingresso a cobertura de um veículo que vai ser praticamente redundante.

A CCXP poderia dar credencial para todos os canais?

Claro, mas o que ela ganharia com isso?

Salvo o próprio Omelete, falar sobre cultura pop em sites e vídeos quase não dá retorno financeiro direto. Muita gente cria esses meios para ganhar HQs, convites para cinema e o ingresso da CCXP vira uma espécie décimo-terceiro para essa gente.

Eu sei que é uma realidade dura, mas, as pessoas têm que aceitar que a sua relevância talvez não valha $100 para a CCXP, por mais que você faça um trabalho sério, por mais que você seja dedicado e tenha público. A CCXP simplesmente não precisa de você mais.

Resta a quem não pegou mesa, não pegou credencial, não teve uma grana absurda para comprar um estande decidir quer ir pagando do bolso e ainda divulgar gratuitamente o evento porque para você é mais importante a audiência que você ganha do que os $100 ou se você simplesmente não quer ir no evento ou não pode ir porque não tem dinheiro.

No fim é isso, o evento é particular e custa caro para fazer e custa caro para entrar, acho válido fazer protesto? Claro, tem sua validade mostrar seu ponto de vista. Mas, no fim, por mais que você ame o mundo nerd, por mais que você adore ir na CCXP tudo se resume a uma fria relação comercial:

A CCXP construiu uma coisa que você quer, daí como tudo no mundo capitalista, ou você tem dinheiro ou não tem.

Se você não tem, paciência, sempre tem pelo Brasil vários eventos nerds gratuitos bem bacanas. Por exemplo, nesse link tem a Feira Miolo(s), que não custa nada e você talvez encontre gente mais legal do comerciantes loucos para vender bonequinhos e coadjuvantes de séries.

Sinceramente, a CCXP nunca foi um evento para mim, tem coisas que eu gosto, tem, mas tem multidões, que é a coisa que eu menos gosto no mundo.