Vingadores Guerra: Infinita – resenha + o que vem a seguir



Antes de mais nada eu vou falar um pouco sobre o filme em linhas gerais e na hora que for começar os spoilers eu aviso.

Bom… o que posso dizer de Vingadores: Guerra Infinita… cara, nem sei.

O filme e muito melhor do que o filme que eu sonhava ver 25 anos mas sempre tive a plena convicção que nunca veria.

Não dá para dizer que é o sonho realizado de um fã, porque eu nunca ia nem imaginar que uma engrenagem tão complexa como o mundo dos blockbusters teria a capacidade de produzir um projeto multibilionário muito bem articulado com 18 filmes e algumas séries de TV e que se desenrolou ao longo de 10 anos!

É o seriado mais caro da história e certamente o mais lucrativo.

Mais do que isso, é um projeto que mostrou que mesmos personagens de terceira linha da Marvel podem ter grandes filmes, como Guardiões da Galáxia.

Fora a cereja do bolo que é o vilão ser o Thanos, um personagem icônico do Jim Starlin que faz parte do imaginário do fã da Marvel desde a criação dele e das suas grandes sagas. Quando o Thanos aparece no final do primeiro Vingadores, no final de um filme que já tinha superado qualquer expectativa, foi algo delirante, foi a certeza de que eu estava vendo uma coisa impossível.

Mas vamos falar um pouco do filme em si.

Primeiro: o filme comportou muito bem todos os personagens. Tony Stark teve o protagonismo que merece por ser o personagem que começou de tudo, o Star Lord teve também um destaque gigante, por conta do filme se passar em grande parte no espaço e envolver a equipe dele por causa da Gamora e do Drax. O ritmo é excelente, começa indo direto ao assunto e vai prendendo a atenção até o final. O visual é incrível, alterna cenas super próximas com cenas muito abertas, é lindo demais de ver em IMAX.

Eu vi gente reclamando que o Capitão América não tem um protagonismo maior. Isso é bobagem, todos os momentos dele são épicos e esse não era o filme dele, nessa primeira parte os Vingadores estão desarticulados e a Terra é só um dos campos de batalha do filme. É óbvio, não dá para todo mundo ter meia hora de filme só para si, mas, dentro do que cabe para o personagem nessa história, o Capitão está excelente, assim como o Pantera Negra.

Segundo: o protagonista da história, na real, é o Thanos e os caras trabalharam o personagem de uma forma muito melhor do que ele já tinha sido trabalhado nos quadrinhos.

Nos quadrinhos o Thanos tinha uma motivação meio frouxa. Ele era apaixonado pela morte (literalmente, pela entidade morte) e, para cortejar ela, decide matar metade de todos os seres vivos.

No filme, o plano é exatamente o mesmo, exterminar aleatoriamente metade de todos os seres vivos, o que difere é a motivação e a construção. Até mesmo o epiteto dele, Thanos, “o titã louco” faz muito mais sentido no filme.

A participação do Homem-Aranha no filme é impecável e divertida demais e o Thor, apesar de continuar um pouco mais cômico do que o devia tem os momentos mais épicos do filme, inclusive um em que a plateia da sala onde eu assisti aplaudiu.

Aliás, cabe um destaque para toda a equipe do Guardões da Galáxia, todas as piadas deles ficaram melhores com a interação com os vários outros personagem, principalmente o Rocket.

Eu vou entrar agora em alguns prontos que são SPOILERS. se você não viu o filme ainda, aconselho a parar.

 

Na real, pessoalmente se fosse apontar um problema é no filme é a falta de grandes surpresas de impacto. Em linhas gerais o filme aconteceu exatamente como eu achava que ia acontecer e foi muito legal por isso. Mas não tem aquelas surpresas tão chocantes. Mesmo a cena extra, que voltou para a origem das cenas extras com o Nick Fury, não tem um impacto tão grande. Tá, mostra o símbolo da Capitã Marvel, mas só isso.

Uma das coisas sensacionais do filme é que ele já começa em alta com o Thanos destruindo a nave onde estava os Asgardianos e arrebentando o Hulk de tal forma que o restante do filme o Banner tenta se transformar, mas a criatura não surge, claramente com medo após ter perdido a primeira luta da vida.

Daí para frente, uma surpresa para mim foi a participação do  Peter Dinklage, como o anão gigante que forja as armas dos Asgardianos, uma participação bem legal, aliás. Outra ponta legal é o Caveira Vermelha.

O ponto que o filme acaba, apesar de ser como eu pensava, com o Thanos vitorioso, funcionou melhor do que eu imaginava pois meio que permite um “vida que segue” para que tenham outros filmes antes da continuação desse em 2019 (antes do próximo ainda tem Homem-Formiga e Capitã Marvel, sendo que Capitã deve ser meio que um entreato de Vingadores).

Eu gostei demais da profundidade que deram para o Thanos, ele está longe de ser um vilão. Depois da destruição de Titã, seu planeta natal, por causa da superpopulação, como ele tinha previsto, ele decide se empenhar no seu plano de salvar o universo da superpopulação matando aleatoriamente, sem pensar em raça ou classe social metade de todos os seres. Para isso, ele precisa das joias do infinito para se tornar um deus e poder realizar seu plano com um estalar de dedos. No final para conseguir o que ele quer, ele precisa abrir mão de tudo, até da única pessoa que ele amou.

Outra questão interessante é que o Thanos não é aquele vilão evangelizador, ele não quer convencer ninguém que ele está certo, não quer que ninguém entenda, não precisa ser adorado, temido ou qualquer outra coisa assim. Ele só quer salvar o universo do jeito dele. Nesse contexto, os vilões do filme são os Vingadores, que lutam para que ninguém morra, aliás, perdem a luta por agir justamente ao contrário do Thanos e se recusarem a matar o Visão. Ou seja, os Vingadores são postos como personagens egoístas e egocêntricos.

Agora para o próximo filme, eu espero que a história passe alguns anos depois, comece com uma cena clássica dos quadrinhos com o Thanos em um milharal e a roupa dele vestindo um espantalho e os heróis que sobreviveram tentando pegar a manopla para desfazer o que ele fez.

Provavelmente vão seguir como foi nos quadrinhos, com a Gamora fazendo a função do Adam Warlock. Ela deve estar presa na joia da alma e vai sair de lá e transformar o Thanos em pedra e o Thanos só vai perder porque, no fundo, ele vai se deixar derrotar.

Um arco legal que eu acho que pode vir depois dos Vingadores é o Despertar dos Deuses, um arco em que o Thor sai em busca de dos Asgardianos que renasceram entre os humanos.

Ah, para quem gosta de referências, a cena que o Hulk é arremessado pelo universo e cai na casa do Doutor Estranho para avisar que o Thanos está vindo, é uma cena dos quadrinhos, só que os quadrinhos o personagem era o Surfista Prateado.

Vingadores não é o melhor filme da história do cinema? Não. Vingadores é um mero filme de ação para crianças de todas as idades? Sim. Um blockbuster que só quer ganhar dinheiro? Com certeza.

Mas foda-se. É o filme que eu vou lembrar para sempre, o filme impossível que eu consegui ver. O Santo Graal dos fãs de quadrinhos de super-heróis.