Westworld – O filme e a primeira temporada da série

Apesar da atmosfera e faroeste, que é um gênero que eu gosto, fui meio reticente com Westworld, tudo ali tinha uma cara de coisa que já vi e que não me interessava ver de novo.

O ponto de partida da série é o filme de homônimo de Michael Crichton de 1973, então eu fui atrás de ver o filme.

É impressionante como o filme do Crichton tem uma baita ideia de Sci-fi que não é nada explorada se reduzindo a um filme extremamente raso de ação.

A premissa, tanto do filme quanto dá série é um parque com vários robôs bem realistas onde as pessoas vão viver a fantasia de estar em um mundo de faroeste onde podem fazer tudo (no filme, apesar de focar no faroeste, é possível optar por uma experiência na Roma antiga ou em uma corte medieval, na série é sugerido algo assim de forma bem passageira).

As pessoas vão para esse Westworld para poder viver aventuras, “matar” robôs e transar com robôs.

No filme, tudo vai bem até que os robôs saem do controle e começam a matar os humanos. O interessante é que no filme isso é extremamente gratuito, simplesmente a trava que impedia eles de matar para de funcionar eles seguem esse instinto assassino e pronto, o filme de ação é sobreviver a isso.

Se você olhar bem a história é geral é praticamente a mesma de Jurassic Park.

A série, obviamente, optou por um caminho mais intelectual/reflexivo. Não que seja algo inovador as história que refletem sobre o que se chama de singularidade, o ponto em que as máquinas adquirirão consciência e poderiam dominar/exterminar a humanidade.

Essa discussão de o que é consciência, o que é ser humano, o que uma máquina precisa para passar a ter consciência da sua própria existência e se autoreplicar é o tema central de milhares de histórias, com milhares de enfoques diferentes.

Assim sendo fui sem muita expectativa para Westworld e o primeiro episódio indicou que teria nada de muito extraordinário na série além da atuação do Anthony Hopkins e do Ed Harris. Mas insisti. Acho que a série só começa a pegar de verdade lá pela metade. Quando a história de fundo começa a parecer um pouco mais complexa do que o trivial.

Os três últimos episódios são os mais fora da curva, são quando a a história realmente se abre, coloca as cartas na mesa e mostra as grandes surpresas, uma ou outra é possível até prever, mas vou confessar que teve um lance ali, uma coisa que só foi possível graças a estrutura toda da história que me surpreendeu muito. Vou comentar isso no final depois do vídeo.

No geral a produção da série é excelente, padrão HBO, as atuações são muito boas e os diálogos, principalmente os mais filosóficos são bem bons.

Tem a participação do Rodrigo Santoro, em um papel menor mas não caricato/esteriótipo, o que é um grande progresso.

Minha única questão que restou sobre a série é: por que uma segunda temporada?

Eu tenho um certo receio do caminho que vão seguir com a série, se vai ser muito ambicioso, se vai se perder, de vai para o clichê absoluto.

Na minha humilde opinião a série está redondinha da forma que está. O final da primeira temporada é espetacular, fecha a série conceitualmente, é cheio de simetrias, é perfeito.

Não há a menor necessidade contar o que vem a seguir. Não sobrou exatamente “mistérios” a esclarecer ou qualquer coisa assim, a partir daquele ponto a série funciona melhor como uma extrapolação dentro da mente de quem assiste do que como uma realização que tem muita chance de ser frustrante.

Acho que uma arte perdida é a arte de saber parar quando uma história está no auge, principalmente em uma série que se fecha tão bem e com uma crescente tão boa quanto Westworld.

 

Veja essa resenha em vídeo e após o vídeo está o comentário com spoiler

 

Agora o spoiler

Os robôs vivem em um ciclo quase infinito, o tempo para eles é insignificante, uma vez que eles são constantemente apagados e começam de novo seu ciclo.

Não é possível saber quantas vezes os robôs chegaram perto “do centro do labirinto”, o teste do Arnold para que saber se eles adquiriram consciência.

Com base nisso, as linhas narrativas na história que parecem simultâneas, na verdade, podem estar em qualquer ordem. Tem um único ponto de indicação de presente e passado que são os humanos que envelhecem, então a surpresa ao descobrir o papel do Ed Harris é imensa, é aquele ponto que você para e repensa a série e começa a achar ela até mais legal do que é.