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Caderno de Recortes #55 – é golpe por todo o lado/Gustav Klimt

E aí pessoal? Como estão?
 
Ideias roubadas
FSP 15/07/22
Pirataria
FSP 15/07/22
Você já deve ter ouvido sobre essa história que está circulando na internet. Por mais que o início dos streamings tenha contido um pouco a pirataria, a estratégia dos estúdios de cada um ter o seu serviço com mensalidades elevadas tende a retomar o debate sobre os direitos autorais.
Esse tema já foi tratado a exaustão e tem diversas camadas. Na área do cinema e das séries, o público tem uma certa dificuldade em pensar que a pirataria seja um problema pois o lado prejudicado é um estúdio gigante que faz jorrar milhões por todos os lados. A tendência natural é pensar: a Disney não vai falir se eu não pagar $40 reais por mês para ver mais um filme da Marvel.
Quando pensamos que do lado do consumidor o dinheiro está cada vez mais curto e a realidade está cada vez mais dura, é natural que o anseio das pessoas por um entretenimento gratuito cresça.
Não vou defender aqui que a pirataria deva ser descriminalizada ou algo assim. Ver um determinado filme ou série, por mais que seja um desejo válido está longe de ser uma necessidade absoluta. Quem pirateia pode muito bem viver sem aquilo.
Também não sei dizer se o “streaming de tudo”, como ocorre na música, seria uma solução real ou um mera política de redução de danos.
Yahoo! 02/02/22 https://br.vida-estilo.yahoo.com/quanto-os-musicos-ganham-no-spotify-e-em-outros-streamings-214326823.html
A pirataria já rolava há décadas quando o streaming de músicas veio para bater o prego no caixão do mercado de discos. É claro que tem uma conjuntura com a melhoria da internet e a falta de espaço nas residências e o aumento de dispositivos compactos de reprodução digital, mas, não é mera coincidência que logo depois da chegada desses serviço os CDs tenham sumido como mídia de massas restando apenas o fetiche pelo vinil.
Enfim, esse é um tema vasto demais para a minha pretensão e, sinceramente, não consigo ver uma solução real para a questão uma vez que a cultura, no geral, tem deixado de ser algo para as massas e há uma crescente elitização e até um ódio contra os artistas que deixa a situação ainda mais nebulosa.
Independente disso, o caminho adotado por esses advogados que conseguem um direito irrestrito de violação de privacidade e o usam para extorquir pessoas sem o devido processo legal é vergonhoso e muito questionável. Por mais que a pirataria seja errada, a condução desse processo deve ser feita pela polícia, seguindo os mesmos princípios válidos para qualquer outro crime e não por advogados particulares que ganham o direito de entrar na sua casa e mexer nas suas gavetas sem mesmo você saber.
FSP – 16/07/22
Todo dia um golpe novo na praça
FSP 08/07/22
Sim, a inflação está comendo solta e quem ainda tem dinheiro para entrar no supermercado tem que ficar atento para driblar as armadilhas que as empresas estão soltando na praça. A área de laticínios, por exemplo, tem jogado nas letras miúdas e quem não presta atenção leva um produto que pode até ser “mais barato” (ou seja, com o mesmo preço que o produto de melhor qualidade tinha 2 anos atrás), mas que, na verdade, não tem qualquer utilidade real. Soro de leite espessado com amido de milho embalado de forma muito parecida ao produto que ele pensa em imitar é mais um de uma série de golpes que só vão piorar.
A fórmula do bolo
Aliás, algo que me intriga nessa nova crise financeira e social que nos metemos é que o produto industrializado virou a alternativa “barata”.
Na era da hiperinflação antes do Plano Real, boa parte dos produtos industrializados eram inacessíveis. Sim, havia o reinado dos enlatados, mas isso era uma questão quase estratégica. Como era preciso gastar todo o orçamento de mercado em um único dia, os enlatados eram as únicas proteínas que sobreviveriam até o próximo pagamento.
Mas, no caso de bolachas, por exemplo, lembro que minha mãe não comprava e a alternativa eram bolos “secos” (sem recheio e cobertura) que ficavam muito mais em conta. Hoje, por mais que o preço das bolachas tenham subido junto com tudo, comprar os ingredientes e bancar o gás para fazer um bolo se tornou um artigo de luxo e, essa rotina de ter que viver a base de ultraprocessados de má qualidade cobrará seu preço social daqui algumas décadas em contas hospitalares.
Para quem ainda tem um pouco de dinheiro e quer ter um bolo para comer durante a semana, vou deixar aqui a minha fórmula infalível para bolos simples.
Essa receita segue o seguinte princípio: mesmo peso de ovo/farinha/açúcar/gordura.
Como cada ovo pesa em torno de 50g você vai fazer o seguinte:
Escolha a quantidade de ovos para o tamanho do bolo que você quer (dois ovos fazem um bolo de 5 pedaços bem razoáveis, por exemplo).
Na batedeira bata os ovos e acrescente 50g de açúcar para cada ovo sem parar de bater até que vire um creme esbranquiçado. Coloque umas gotinhas de extrato de baunilha para aromatizar.
Normalmente eu uso uma mistura em partes iguais de leite e manteiga. Mas o bolo funciona só com leite, só com manteiga (que é a receita original francesa chamada de 4 x 4), ou mesmo com leite e margarina ou leite e óleo (o óleo deixa bem mais pesado). O importante é que o peso total dessa mistura seja de 50g para cada ovo. Essa mistura não pode estar fervendo, mas é bom aquecer até a manteiga derreter totalmente e deixar esfriar um pouco.
Peneire 50g de farinha para cada ovo junto com ½ colher de chá de fermento para cada ovo e uma pitada de sal.
Bolo é um bicho chato, cada etapa que você pula aumenta o risco de ele não crescer, então você até pode seguir sem peneirar, mas não é o ideal.
Assim que você começar o preparo já pré-aqueça o seu forno no fogo médio.
Depois que os ovos e o açúcar bateram, você vai misturar com delicadeza a farinha e o leite/manteiga nos ovos. Mexa com muita delicadeza até ficar homogêneo.
Aqui vem uma parte divertida. Para o bolo não ficar sem graça, acrescente raspas de laranja ou de limão ou algo para dar um sabor diferente. Eu gosto bastante de fazer uma espécie de geleia cozinhando gomos de laranja com um pouquinho de açúcar, ou a polpa de um maracujá com um pouco de açúcar e colocar no bolo. Mas funciona também com gotas de chocolate ou o qualquer outra ideia.
Coloque a massa em uma forma untada e enfarinhada, de preferência uma daquelas com furo central (igual de pudim) e asse por 20 a 25 minutos. Para saber se está pronto, espete com um palito de dente, se o palito sair limpo, tá certo, se não, deixa mais alguns minutos.
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FSP 13/07/22
Bolsonaro, cuja única educação foi no quartel, acha que Universidades são iguais a caserna em que ele viveu, onde os refugos da ditadura ensinavam que bom era aquele tempo que podiam estuprar as presas.
Pintores
Última semana com Klimt.
O beijo é um dos quadros mais famosos e mais parodiados de Klimt. Ele contém todos os elementos que tornaram o trabalho desse artista memorável. As dourações, o orientalismo, o desenho cuidadoso do corpo humano e uma carga simbólica gigante na pose e nos elementos.
Essa é uma página do David Mack para o Demolidor que é só um dos muitos exemplos da influência de Klimt até hoje.
É muito curiosa a escolha de enquadramento de Klimt nesse quadro. A personagem principal está quase totalmente oculta, mas o trecho do rosto exposto tem um olhar muito expressivo.
Esse quadro tem uma composição tão bonita. Por mais que Klimt repita em alguns elementos de outros trabalho, aqui ele conta uma história completa e tem uma construção gráfica tão intrincada para representar essa árvore que forma o fundo que chega a ser surpreendente. É daquelas obras para ser olhada por horas em um museu.
Além dos quadros mais famosos, Klimt fazia bem ao seu modo um trabalho mais na linha europeia. O interessante aqui é o uso que ele faz de linhas, contornos e hachuras, lembra muito Toulouse-Lautrec
Por fim, um esboço. Como eu sempre digo é interessante olhar como o pintor figurativo pensa o desenho antes da pintura, porque ali estão muitas das escolhas dele de forma e movimento.
P.S.
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