Desenhando com o lado direito do Cérebro – Parte 3: Perspectiva formal e escorço

[Veja a playlist de vídeos com os exercícios do livro https://www.youtube.com/playlist?list=PLf2cO1HvlOe7mdti23nBqAKQAurwNJUQ_ ]


Perspectiva é um tema que, no geral, apavora muita gente que se dispõe a estudar desenho, mas não tem como fugir, mesmo seguindo a linha do livro da Betty Edwards, a perspectiva é uma das etapas fundamentais para o aprendizado do desenho.

Isso pode parecer um pouco confuso, porque é comum pensarmos na perspectiva como uma série técnicas complexas de linhas e cálculos, algo que teria pouco a ver com a teoria da autora sobre a divisão do cérebro entre um lado racional e um criativo, que é o que você precisa acessar para desenhar.

Então, antes de mais nada, é preciso estabelecer alguns termos.

A perspectiva acadêmica, ou como a autora de Desenhando… chama, a “perspectiva formal”, usa uma série de regras lógicas para projetar a tridimensionalidade em uma imagem planificada. Usando a linha do horizonte combinada com pontos de fuga, ou mesmo um grid (que é uma derivação complexa disso) o desenhista distorce visualmente sua figura criando uma ilusão que se assemelha com a forma que vemos o mundo.

Ou seja, a perspectiva formal pega a nossa visão de, por exemplo, uma rua cheia de prédios e, em cima disso, cria uma fórmula que permite construir essa rua ou qualquer outra sem ter que de fato observá-la. O desenho feito através da perspectiva formal se assemelha a um projeto arquitetônico e o uso dessas linhas de apoio e os planos de fundo são prefeitos para a construção da imagem de prédios, pois tudo em um prédio está alinhado, as janelas estão na mesma linha e distribuídas de modo uniforme, a porta tem uma altura maior do que os tamanhos da janela e por aí vai. E, feita essa projeção dos prédios fica prático para projetar a altura de uma pessoa na rua, por exemplo, puxando a projeção a partir da medida da porta.

Aprender a perspectiva formal é importante, mas não é sobre o que esse post trata, se você quer se aprofundar nesse, depois de aprendido o básico do desenho, exitem cursos focado em perspectiva, o Octávio Cariello tem um excelente, por exemplo. Aprender a perspectiva formal corretamente vai permitir criar com mais facilidade um cenário sem uma referência (obviamente, antes de chegar nesse ponto você tem que ter treinado muito com referências) e, com o domínio da técnica pode-se optar por criar uma perspectiva mais solta com uma função narrativa.

Outro termo que acho que vale ser esclarecido é o escorço. Eu sempre ouvi as pessoas se referindo ao escorço como torções. A pessoa falava em posição escorçada como uma posição cheia de torções. Mas não é exatamente esse o significado.

Escorço está intimamente ligado com o surgimento da perspectiva.

Escorço é uma técnica de representação gráfica, na qual um objeto ou uma distância parecem mais curtos do que são na realidade. O termo deriva do verbo italiano scorciare que significa encurtar. Isso ocorre em função do ângulo adotado em relação ao espectador, sendo um exemplo extremo da perspectiva linear. O escorço da figura humana foi aperfeiçoado no Renascimento italiano. A pintura Lamentação sobre o Cristo Morto (abaixo), de Andrea Mantegna, é um dos mais famosos exemplos de obras que mostram a nova técnica do período, a qual foi incorporada no currículo padrão para a formação dos artistas. (fonte http://dicionarioportugues.org)

Note que essa pintura mostra o escorço e não há torção nela.

Outra forma de definir escorço, como é usado na fotografia, por exemplo, é a ilusão de que uma parte da imagem é bem maior do que outra, sendo que, na realidade as proporções são inversas. Essa ilusão se dá pelas partes estarem em planos diferentes, criando profundidade.

Sempre que você cria um primeiro plano e um último plano através da discrepância correta de proporções, forma-se mentalmente a ilusão de profundidade.


É importante lembrar que nesse aspecto de construção de planos, o desenho em si não é a única forma de criar profundidade, a perspectiva visual através de cores ou valores tonais não usa linhas de construção, mas é uma parte essencial da construção de um cenário.

Olhe essa pintura do William Turner, por exemplo. Sem nenhuma linha de construção, só trabalhando com intensidade de cores, ele cria uma ilusão de profundidade através da montagem de planos visuais.

Na pintura seguinte, do Rubens, fica bem marcado um plano distante, além da cena trabalhada, isso valoriza a cena em primeiro plano e cria, além da profundidade, uma narrativa no quadro.



Lembre-se, essas propostas são exercícios que fazem parte de um processo longo de aprendizado e não um mecanismo ou um truque para desenhar algo. O resultado desses exercícios não tem como objetivo criar um “desenho bonito” e sim ajudar na internalização de um processo bem mais complexo.

Ressalto que minha proposta aqui não é dar um curso de desenho, mas sim compartilhar o que eu tenho estudado.

Veja todos os textos sobre o livro aqui

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Se você também está estudando desenho e tem alguma dúvida, quer ver outros tipos de exercício mais específicos, mande um e-mail para contato@diletanteprofissional.com.br e eu vou atrás de pesquisar a sua sugestão.


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