Desventuras em série

Saiu na Netflix segunda temporada do Desventuras em série, que adapta a série de livros de mesmo nome.



Tanto os livros quanto a série são um ponto fora da curva na narrativa juvenil.

Quando saiu a primeira temporada da série eu gostei muito, tem esse clima irônico, meio sinistro e depressivo, cheio de mistérios e personagens surreais.

A todo momento, Lemony Snicket, o narrador da história dos órfãos Baudelaire que perderam seus pais em um misterioso incêndio, avisa o espectador para desistir da série, para ver outra coisa pois só acontecerão tragédias na vida dessas crianças.

De fato, a história de Violet, Klaus e a pequena Sunny é uma espiral de tragédias.

Na primeira temporada os irmãos são passados de tutor para tutor, sempre perseguidos por Conde Olaf, um ator fracassado com um trupe sinistra de ajudantes que tenta roubar a todo custo a fortuna dos irmãos.

Em paralelo a história deles, há uma trama de uma organização secreta empenhada em ajudar os irmãos, mas que, na prática, sempre acaba deixando eles na mão e Violet tem que inventar algo para salvar os irmãos.

A história em si é bem mecânica, bem com uma repetição de estruturas no decorrer dos livros (cada livro foi dividido em dois episódios). Sempre o irmãos encontram um tutor bizarro e o Conde Olaf os persegue com disfarces inusitados e planos desnecessariamente complexos. Na segunda temporada a dinâmica muda um pouco, com os irmãos em fuga por um crime que não cometeram, mas, ainda assim, o ritmo e estrutura são as mesmas, só a espiral de tragédias que se aprofunda.

O charme da série, na verdade, não está na história em si, mas na forma como ela é contada e nos personagens.

As crianças por si só são peculiares e extraordinárias. Mas são os verdadeiros arquétipos, a inventora que sempre constroi algo para salvar todos, o ponderado que sempre lembra de algo que leu e o bebê impulsivo que muitas vezes resolve a situação.

Quando partimos para a ambientação e para o elenco de personagens coadjuvantes a coisa já começa a ficar bem mais interessante. A série se passa em uma época meio indefinida, apesar de ter muita crítica social, tem um visual retrô, meio depressivo. Lembra muito uma Família Addams ou qualquer filme do Tim Burton.

Os coadjuvantes são um mais peculiar do que o outro. O banqueiro que está sempre tossindo e deveria cuidar das crianças mas que é enganado por qualquer um, a mulher dele que publica qualquer coisa sem fundamento no jornal em que todos acreditam. Os membros da sociedade secreta que volta e meia retorna a cena. O próprio narrador, com seus fatos bizarros aleatórios e sua obsessão por expressões idiomáticas.

Mas a grande estrela da série, sem dúvida alguma é o Conde Olaf interpretado por  Neil Patrick Harris. É impressionante como esse personagem parece ter sido escrito para ele. Um vilão fracassado que usa infinitos disfarces e volta e meia canta e dança.

Neil Patrick Harris brilha muito na série. Já desde a abertura em que ele canta a contagiante música tema que muda a cada dois episódios, o visual do personagem e dos disfarces até o trabalho físico absurdo de bom do ator.

Só por ele já vale ver a série.

No fim é isso, apesar do roteiro meio repetitivo, é uma série que vale pelos detalhes, pelas críticas, pelo clima depressivo mas engraçado. É um ótimo divertimento. Não vejo a hora de chegar o ano que vem para ver a terceira e última temporada da série.

Compre os livros aqui https://amzn.to/2GRpsWQ

Uma outra leitura bacana é a autobiografia do Neil Patrick Harris https://amzn.to/2GO3AeW