Dicas de ilustradores: Esad Ribic

No geral a arte nos quadrinhos americanos é bem padronizada oscilando de anos em anos com um ou outro artista que se destaca. Isso é bem compreensível porque eles produzem milhares de páginas coloridas todos os meses e não dá pra existir tanta gente excelente ao ponto de fazer essa infinidade de material.

Agora, quando se fala de cores o padrão cai mais ainda. As cores digitais feitas a jato, as “regrinhas” editoriais e uma série de outros problemas acabam produzindo páginas medíocres pra não dizer pavorosas. Muitos coloristas não entendem de contraste, não entendem de foco de luz e muitas vezes nem o mínimo de composição.  Fora que muitas das revistas de super-heróis são coloridas por estúdios quem nem creditam os artistas e não possuem o menor padrão.Daí quando surge um cara como o croata Esad Ribic, obviamente que ele se destaca.

Óbvio que tem que se fazer milhares de ressalvas. Esad não trabalha no mesmo ritmo que os demais autores, nem teria como fazer isso. Então, como resultado, enquanto outros artistas estão todos os meses nas bancas, ele acaba aparecendo uma vez a cada dois anos.

Outra questão importante é que, por mais que esse estilo de pintura seja lindo, muitas vezes ele não funciona 100% nos quadrinhos, ou seja, não é só saber pintar, é necessário o algo mais que é o verdadeiro diferencial de Ribic, saber moldar a narrativa ao seu estilo para não se tornar algo gratuito.

Uma das coisas que eu aprendi sobre pintura é evitar linhas, resolver o máximo possível na mancha. O recorte e o contraste é o suficiente para deixar a linha subentendida. Pode olhar todos as pinturas de Esad aí embaixo e praticamente não verá linhas.

Agora, quando se parte para a narrativa dos quadrinhos, a linha apesar de desnecessária enquanto arte, é necessária para a narrativa. A linha sintetiza o movimento, a linha dá agilidade. No fim, é a linha que difere muito uma sequência de ilustrações que formam uma página de quadrinhos e uma colagem de belas pinturas.

Bons quadrinhos fluem de uma forma que você vê eles se movendo na página, porque é tudo mais sintetizado, tudo mais direto. A pintura não, ela pede mais tempo para o olhar, prende mais para lhe permitir compreender os nuances subentendidos.

É claro que com um trabalho árduo é possível fazer funcionar. Não basta olhar quadro a quadro, tem que olhar a página como um todo, a composição não é só dentro de um quadro é feita de forma que a página fique interessante e leve o leitor por ela em crescentes de tensão.

Olhem essa seleção que eu fiz. Reparem como ele trabalha a transparência das sombras e a opacidade da luz de uma forma maravilhosa.

Tentei fazer uma seleção bem diversificada (pinturas mais “comportadas” e mais soltonas e um desenho com o traço a lápis) porque eu acho que resultados diferentes ajudam a enxergar melhor o processo do artista.

Uma curiosidade que eu reparo nos pintores e ilustradores no geral é que sempre tem alguma coisa que eles gostam muito e fazem questão em todas seus trabalhos. No caso de Esad Ribic é uma cor meio rósea que ele coloca sempre na pele humana. Dá um efeito lindo e também meio que cria uma “marca registrada”.

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