O Triunfo da Cor

Está rolando no Centro Cultural Banco do Brasil de São Paulo a exposição O Triunfo da Cor.

A exposição é composta de 75 quadros de 32 artistas emprestados pelos museus Musée D´Orsay e Musée De L´Orangerie, com pintores como Van Gogh, Gauguin, Toulouse-Lautrec, Cézanne, Seurat, Matisse e artistas que descenderam desses grandes mestres.

Eu estava com uma grande expectativa por essa exposição pela presença de quadros do Van Gogh, mas vou confessar que o que mais me impressionou foi um movimento menor, classificado de forma genérica como pós-impressionistas. Esse grupo que seguindo em uma ordem cronológica está no final do pós-impressionismo é chamado de Les Nabis.

Van Gogh sempre é espetacular, todos os quadros dele têm uma característica marcante que só é possível de vivenciar realmente o vivo que é a forma como ele “cavava” a tinta com o pincel para forma algo parecido com hachuras coloridas. É realmente impressionante a qualidade  e unicidade dos quadros dele. São de fato peças inconfundíveis.

Mas, infelizmente, essa ainda não é uma exposição só dele (gostaria muito de ver uma assim um dia) se eu não me engano, no andar em que se inicia a visita tem apenas dois ou três quadros dele e o restante de contemporâneos que, de qualquer forma, engrandecem a visita.

Eu mesmo que nunca fui grande fã de Toulouse-Lautrec mudei um pouco minha opinião sobre o artista diante os dois belos quadros dele que vieram.

Mas, no fim, como disse,  a grande descoberta dessa exposição são os Les Nabis. Esse grupo francês da última década do século XIX foi inspirado por Gauguin e outros pós-impressionistas para criar suas obras que aproximam a pintura da ilustração, mas sem o uso de linhas. Eduardo Vuillard, Pierre Bonnard, Paul Ranson, Aristide Maillo e Félix Vallotton trabalham de forma bem curiosa o recorte de áreas por planos de cores sólidas.

Esse tipo de recurso é muito usado até hoje no design moderno e sua base está toda ali, validando, inclusive, o significado da palavra Nabis que vem da palavra hebraica para profetas.

Com essa estrutura lógica a exposição de fato mostra o triunfo da cor, partindo de um uso mais intuitivo de cores menos realistas para formar por um caminho inconsciente uma poderosa imagem como nos quadros de Van Gogh, passando pelo pontilismo da composição de cores do movimento das cores científicas e culminando na síntese dos planos sólidos dos Nabis que nos remetem a muito da iconografia atual.

É uma exposição imperdível e se você mora em um cidade próxima a São Paulo, sem dúvida vale a viagem.

tc

tc1

 

 


Inscreva-se na newsletter do site e receba todas as atualizações do site diretamente no seu e-mail.

anuncioamazon